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Quarta temporada da série, toda disponível na Netflix, brinca com expectativas da audiência e devolve motivações originais aos protagonistas

É possível medir a inteligência de uma série pela sua capacidade de reinvenção. “Billions” chegou a sua quarta temporada com o desafio de manter-se narrativamente relevante após esgotar seus conflitos e instaurar uma nova dinâmica entre os protagonistas, o magnata das finanças Bobby Axelrod (Damian Lewis) e o procurador Chuck Rhoades (Paul Giamatti).

Billions
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Cena da quarta temporada de Billions, já disponível na Netflix

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Não somente “Billions” deu conta do recado, fazendo com que esses rivais alimentassem uma parceria circunstancial para que pudessem reagir a ataques de novos e inesperados inimigos, como realinhou os conflitos para circunstâncias muito próximas, ainda que adensadas pela bagagem dos personagens, daquelas do ponto de partida do programa criado por Brian Koppelman, David Levien e Andrew Ross Sorkin e exibido no Brasil pela Netflix .

O 4º ano começa com Axe inquieto com o sucesso de Taylor (Asia Kate Dillon) como gestora de sua própria corretora e disposto a ir até as últimas consequências, morais, éticas e financeiras para se vingar. Chuck não está exatamente em um lugar melhor. Com o ex-pupilo Bryan Connerty (Toby Leonard Moore) em seu cangote doido para se provar superior e agradar o procurador geral de Justiça dos EUA Waylon ‘Jock’ Jeffcoat (Clancy Brown), outro ególatra doido para se provar mais forte e poderoso do que Chuck.

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Chuck e Wendey enfrentam problemas no quarto ano de Billions

O eixo central do quarto ano é esse e Chuck e Bobby se ajudam pontual e mutuamente para atacar seus rivais em suas próprias linhas de atuação. Mas há mais acontecendo. Bobby se abre novamente para a intimidade com a chegada de Rebecca Cantu (Nina Arianda), uma investidora tão agressiva e prática que desponta como sua alma gêmea enquanto Chuck enfrenta problemas em sua relação com Wendy (Maggie Siff), que começa a reavaliar seus status emocional e profissional.

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Para além do texto inteligente e bem desenvolvido, o grande mérito de “Billions” nesta quarta temporada é desenvolver dramaticamente seus personagens de maneira que eles permaneçam reconhecíveis para a audiência, mas evoluam dramaticamente - isso tudo sem desorganizar os objetivos narrativos da série. Pode parecer fácil, mas não é. Essa conjunção formaliza a produção, que já teve sua quinta temporada confirmada, como uma das mais sagazes e bem estruturadas da TV americana atual.