Na madrugada desta quarta-feira (29), Walcyr Monteiro morreu em decorrência de uma pneumonia. No começo do mês, o autor foi internado em um hospital para cuidar da doença e, por causa dela, acabou com os órgãos fragilizados e não resistiu.

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Walcyr Monteiro
Reprodução/Facebook
Walcyr Monteiro morreu aos 79 anos


Conhecido principalmente no norte do Brasil, Walcyr Monteiro  se notabilizou por obras como “Visagens e Assombrações de Belém”, publicado em 1986. O livro reúne uma compilação de contos fantásticos e histórias sobrenaturais que povoam o imaginário amazônico. Além disso, a obra rendeu adaptações visuais como o filme “Lendas Amazônicas” (1998) e o curta “Visagem” (2006).

O conjunto de obras dele também contava com “Visagens, Assombrações e Encantamentos da Amazônia ”, “Cosmopoemas”, “Miscelânea ou Vida em Turbilhão”, “As Incríveis Histórias do Caboclo do Pará”, “Histórias Brasileiras e Portuguesas para Crianças” e “Presente de Natal”.

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Além de escritor de prestigiada popularidade regional, Walcyr também era jornalista, ufólogo, sociólogo e acadêmico das letras. Ele atuou como professor de ensino médio e superior, lecionando disciplinas como Antropologia Cultural, Economia Brasileira e Ciência Política na área da educação. Também presidiu o Centro Paraense de Estudos do Folclore e foi secretário do Instituto Histórico Geográfico do estado, além de ter ministrado palestras sobre folclore.

Monteiro ainda presidiu o Instituto de Terras do Pará (Iterpa), enriquecendo a literatura amazônica com seu estilo particular de contar as lendas e causos da região norte do País. Em uma de suas últimas entrevistas, o autor revelou o motivo de ter começado a mergulhar nos assuntos relacionados a coisas sobrenaturais.

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“O grande amor que tenho pela Amazônia, pelo Pará, por Belém! Antigamente, as pessoas colocavam as cadeiras defronte das portas das casas e contavam lendas, mitos e histórias de visagens, assombrações e encantamentos, tanto de Belém, como de toda a região. Aquela altura Belém não tinha edifícios, e, à noite, só as programações de cinemas, ou seja, não havia a vida noturna que há hoje”, contou.

“Então contar e ouvir histórias era uma grande diversão. E isto aconteceu até a televisão chegar. Quando esta chegou em Belém, foi uma febre só: quem tinha dinheiro, comprou televisão, quem não tinha, virou televizinho, ou seja, ia ver televisão na casa do vizinho. E as cadeiras saíram defronte das casas para defronte da televisão, que ‘roubou’ a atenção de todos para as telenovelas. E com isto deixou-se de contar as histórias”, relembrou Walcyr Monteiro.

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