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Nicolas e Lilly interpretam o escritor J.R.R. Tolkien e sua esposa, Edith Bratt, no filme. Atores conversaram sobre a história de seus personagens

Nicholas Hoult tinha 12 anos quando recebeu dos irmãos Chris e Paul Weitz um exemplar de "O Hobbit". O ator britânico trabalhava com a dupla de diretores em "Um Grande Garoto" (2002), filme inspirado no livro de Nick Hornby. Dezessete anos depois, Hoult tornou-se um dos atores britânicos mais festejados de sua geração e agora interpreta o autor de "O Senhor dos Anéis" na cinebiografia "Tolkien".

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Nicolas Hoult e Lilly Collins
Divulgação/Imdb
Nicolas Hoult e Lilly Collins


“Foi realmente o momento em que conheci Tolkien e, depois, me tornei fã da saga "O Senhor dos Anéis" no cinema”, diz Hoult, em entrevista por telefone, de Londres.

Conhecido como o Fera na franquia "X-Men" e um dos candidatos a Batman, Nicolas Hoult tem se destacado também em papéis mais sérios, como um político oportunista em "A Favorita", e agora o autor. Para ele, personagens inspirados em pessoas reais exigem muito mais de um ator.

“Compor o personagem foi um desafio e tanto porque não tinha tantas referências em vídeo para estudar. Tive que entender os pensamentos, sentimentos e ideias por trás dos escritos dele e tentar extrair disso tudo uma verdade”, declara.

O filme dirigido pelo finlandês Dome Karukoski acompanha a história de J.R.R. desde a infância, quando a família dele volta da África do Sul para a Inglaterra, em 1896, após a morte do pai. Oito anos depois, ele perde também a mãe. Nessa fase o personagem é interpretado por Harry Gilby.

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“A ideia era examinar o aspecto psicológico de alguém que perdeu os dois pais muito jovem. É uma pessoa que não tem autoconfiança, mas está adquirindo e se tornando um homem”, explica Hoult.

Hoult assume o personagem logo depois, quando o longa acompanha o futuro escritor na escola King Edward, na Universidade de Oxford e durante sua participação na Primeira Guerra Mundial, como oficial do Exército britânico. É nessa fase que ele conhece Edith Bratt, aquela que se tornaria a sua mulher e uma forte inspiração de seu trabalho. 

Lilly Collins, que interpreta Edith, conta que há oito anos fez testes para interpretar a elfa Lúthien, em "O Hobbit". O papel acabou ficando com Evangeline Lilly na segunda trilogia dirigida por Peter Jackson.

“É muito especial fazer o papel da mulher que, no fim das contas, acabou inspirando personagens e histórias dele”, diz.

Reza a lenda que a inspiração para criar a personagem de Lúthien veio quando o escritor viu Edith dançar para ele na clareira de uma floresta, entre flores de cicuta. Mas, para Lilly, Edith era muito mais do que uma musa etérea.

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“Há pouca informação sobre Edith disponível, infelizmente, porque ser mulher e órfã naquela época não dava boas perspectivas de futuro. Dar voz a essa mulher e fazer com que as pessoas a conheçam foi realmente um presente para mim. Seria uma pena não conhecerem sua história, porque ela foi inspiração para muito do que ele escreveu”, afirma.

Edith é apenas uma das mulheres notáveis por trás de homens célebres que Lilly Collins está interpretando neste momento de sua carreira. Ela também está em "Extremely Wicked, Shockingly Evil and Vile", cinebiografia de Ted Bundy, o assassino em série mais temido dos Estados Unidos dos anos 1970, sob o ponto de vista de sua namorada à época, Liz Kendall.

“É uma grande mulher, muito corajosa também, mas sob outra perspectiva. É interessante que esses filmes estejam sendo feitos agora. Talvez seja o momento para suas histórias serem ouvidas, quando há mais interesse nelas. Estamos em um momento muito especial para as mulheres na indústria do cinema, tenho trabalhado em filmes que trazem mulheres em diversos departamentos”, reforça a atriz.

“Eu tenho notado uma mudança e quero também fazer mais do que só atuar, também quero produzir e dirigir. Estamos em um bom momento para isso”, completa.

Vale lembrar que “ Tolkien ” já está em cartaz nos cinemas brasileiros.