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Dirigido por Shane Black, "O Predador" volta aos cinemas dez anos após sua última incursão em "Predadores", mas bagunça narrativa afeta o resultado

A ideia de fazer um novo “O Predador” é algo que atormenta Hollywood. Desde o explosivo sucesso do original em 1987, dirigido por John McTiernan e estrelado por Arnold Schwarzenegger, o longa pavimentou uma franquia acidental com filmes lançados em 1990 e 2010, descontados os crossovers “Aliens vs Predador”.

Cena do longa O Predador: Muita ação, muito humor e muita bagunça
Divulgação
Cena do longa O Predador: Muita ação, muito humor e muita bagunça

A FOX chamou Shane Black, diretor dos bacanas “Beijos e Tiros” (2005) e “Dois Caras Legais” (2016) para conduzir a nova empreitada. Mas “O Predador” de 2018, desenhado para ser um blockbuster, peca tanto pelos excessos como pela falta.

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A trama central é muito mal desenvolvida. O roteiro assinado por Black em parceria com Fred Dekker investe em um humor que nem sempre funciona, bem como em um conflito mal articulado entre diferentes espécies do bichano alienígena.

O elenco inflado, ainda que esteja entrosado, acaba prejudicando a evolução narrativa, uma vez que há pouco espaço para organizar os arranjos de todos os personagens.  Boyd Holbrook, que liderou o elenco de “Narcos” por duas temporadas, até se esforça, mas seu personagem – um militar que após ver o alienígena em ação no México vira bode expiatório – simplesmente não convence. É a senha para o personagem que melhor funciona no longa. O filho do militar, um menino autista que acidentalmente entra na rota de um confronto intergaláctico entre predadores.

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A conta não fecha em "O Predador"

Jacob Tremblay em cena de O Predador: ele é o grande trunfo do filme
Divulgação
Jacob Tremblay em cena de O Predador: ele é o grande trunfo do filme

Vivido por Jacob Tremblay, o menino é o catalisador de um confuso comentário da realização sobre engenharia genética e aceitação. A correção política, aliás, está no DNA do longa. As duas piadas potencial e racialmente controversas saem da boca dos dois personagens negros. A única personagem feminina, a biotecista vivida por Olivia Munn, é durona na queda e não leva desaforo para casa; o autismo é, na verdade, um passo na evolução do homo sapiens; há um casal gay vivendo um momento Romeu e Julieta e uma (ótima) piada tirando sarro do nome da franquia.

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Entre tantos excessos, falta ao filme a tensão e o carisma que sobravam no original. O predador jamais mete medo. Na visão de Shane Black , este é um filme de férias, gigante e para adolescentes – ainda que seja violento e tenha a classificação indicativa para maiores de 18 anos no Brasil. É essa esquizofrenia estrutural, propiciada claramente por uma influência indevida de “Deadpool” (2016), que torna essa produção cara e bombada em algo pouco estimulante.

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