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Produção norueguesa foi selecionada por seu país para tentar uma vaga no Oscar e estreia nesta quinta-feira (30) em diversas capitais brasileiras

Cena de Thelma, que estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas de São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, Brasilia e Curitiba
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Cena de Thelma, que estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas de São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Porto Alegre, Recife, Belo Horizonte, Brasilia e Curitiba

Um dos filmes mais polarizadores de 2017,  “mãe!” só se existe por meio de suas alegorias e isso constitui tanto sua maior força, como sua grande fragilidade. “Thelma”, novo filme de Joachim Trier e escolhido pela Noruega para tentar uma vaga no Oscar 2018 entre as produções estrangeiras, apresenta inúmeras alegorias – todas esfuziantes e reverberantes – mas sobrevive sem elas. É neste ponto especificamente que se distingue como uma produção muito mais ampla, satisfatória e mesmerizante.

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Os debates que provoca tampouco se esgotam ao fim da produção. O início do filme é avassalador e instiga a audiência pelo que virá a seguir. Um homem e uma menina, que intuímos ser sua filha, caminham por uma floresta coberta de neve. Ele avista um cervo. Mira. A menina fita o cervo na expectativa do abate, ele passa a mirar sua filha. Demora alguns minutos na hesitação. Desiste. “Thelma” é um filme que vai se revelando aos poucos e acumulando alegorias que o tornam melhor.

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Eili Harboe faz a Thelma do título. Uma garota tímida que acaba de deixar a casa dos pais para estudar em Oslo, onde começa a viver seu primeiro amor. Que é um amor homossexual. Seu relacionamento logo é afetado pela intromissão opressiva de sua família, que com suas crenças religiosas fundamentalistas conseguem abalar a vida da jovem. Quando Thelma fica chateada, coisas estranhas começam a acontecer e esses fenômenos sobrenaturais só aumentam.

Cena do filme Thelma: alegorias sobre a sexualidade
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Cena do filme Thelma: alegorias sobre a sexualidade

O filme de Trier poderia ser vulgarmente definido como um X-Men europeu com fundo sexual. Isso porque Thelma resiste ao desejo sexual por Anja (Kaya Wilkins).  A desconstrução da figura masculina, aqui materializada pelo pai bondoso, mas rígido, é uma dessas alegorias sobre sexualidade e liberdade que tanto agradam em um cinema que se pretende expositivo das angustias homossexuais.

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Os conflitos íntimos da protagonista e a maneira como ela se debate com eles, deixando a inocência para trás e se aceitando por inteiro, no contexto sexual, mas também “mutante”, torna “Thelma” um filme de brilho peculiar e especialmente potente.

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