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O cinema reagiu ao avanço da direita no mundo tanto no engajamento de celebridades contra Donald Trump como nos premiados em festivais

O ano de 2016 deixa muitas lições para os estúdios de cinema, memórias para os cinéfilos e uma boa porção de projeções para o futuro. Foi um ano em que a China avolumou-se perante os EUA no desafio de ser o grande mercado consumidor de cinema no mundo; que grandes autores se manifestaram e agradaram; que os heróis mediram forças; e que a Disney provou que deve mesmo dominar o mundo.

Franquias e estrelas duelam pelo interesse do público no cinema em 2016
Montagem/Reprodução
Franquias e estrelas duelam pelo interesse do público no cinema em 2016

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O cinema em 2016 reafirmou-se como sétima arte com produções que tiraram o expectador do lugar comum. Os festivais se politizaram e as celebridades se engajaram pelo feminismo, contra o preconceito racial e até mesmo contra Donald Trump. Foi um ano intenso, com Star Wars, Star Trek, Dory, Jason Bourne e Elis Regina.

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Nova Guerra Fria

Enquanto o mundo esperar para saber como se dará a relação entre Vladimir Putin e Donald Trump, os estúdios americanos tentam conquistar a China, que ainda restringe o número de lançamentos hollywoodianos no país. Em 2016, o namoro avançou. O cineasta Zhang Yimou dirigiu a superprodução “A Grande Muralha”, da Universal, estrelada por Matt Damon. O filme já foi lançado na China, mas no resto do mundo só em 2017. O ano começou com o estúdio Legendary sendo comprado pelo gigante chinês Wanda , controlado pelo multibilionário Wang Jianlin, e acabou com a notícia de que a China se equiparou aos EUA em matéria de oferta de salas de cinema. São 40.917 contra 40.759. Os números dos EUA, no entanto, remetem a 2015. De todo modo, em 2016 a China abriu em média 26 salas por dia e registrou um crescimento de 29,5% em relação a 2015, quando tinha 31.600 salas.

Matt Damon e Pedro Pascal em cena de
Divulgação
Matt Damon e Pedro Pascal em cena de "A Grande Muralha"

Esse crescimento, por mais acelerado que seja, ainda precisa se tornar sustentável. Em 2015 a bilheteria oriunda da China foi de US$ 6,3 bilhões, enquanto que os EUA fomentaram um box office de US$ 11, 1 bilhões.

A força do Império

A Disney pôde se dar ao luxo de ter dois fracassos no ano (“O Bom Gigante Amigo” e “Meu Amigo, o Dragão”) e ainda registrar o recorde de faturamento em um ano para um estúdio de cinema com mais de US$ 7 bilhões em caixa, superando os US$ 6 bilhões registrados pela Universal em 2015. Mérito de um cardápio que contou com “Capitão América: Guerra Civil”, “Procurando Dory”, “Zootopia”, “Mogli – O Menino Lobo”, “Dr. Estranho” e “Rogue One – Uma História Star Wars”. Os quatro primeiros filmes supracitados são justamente as quatro maiores bilheterias de 2016.

Como fazer e como não fazer

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"Deadpool" foi um dos hits de 2016

“Esquadrão Suicida” era o filme mais aguardado de 2016. Há três anos no forno, a fita de David Ayer não foi exatamente uma decepção, mas deixou claro que a Warner precisa confiar no próprio taco ao invés de tentar remeter à rival Marvel. O filme todo picotado que chegou aos cinemas fez barulho e bilheteria, mas gerou um burburinho dos mais negativos. O contrário de “Deadpool”, que viu diretor e astro se desentenderem na pré-produção da sequência, mas se firmou como um dos filmes mais divertidos da temporada. De quebra, mostrou que o público está receptivo a filmes de heróis mais violentos e politicamente incorretos.

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Cinema de esquerda

O avanço da direita no mundo gerou uma interessante reação no cinema. Cannes consagrou Ken Loach , notório cineasta esquerdista, com a Palma de Ouro por “Eu, Daniel Blake”. Berlim, o mais politizado dos festivais, consagrou um documentário que trata da iminente e preocupante questão da imigração (“Fogo no Mar”). Outras produções no ano reverberaram o mal-estar social. Alguns exemplos são “O Valor de um Homem”, “A Grande Aposta”, “Anomalisa” e “Much Loved”.

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"Eu, Daniel Blake", filme exibido no festival de Cannes e vencedor da Palma de Ouro

Star Power

Tom Cruise (“Jack Reacher: Sem Retorno”) e Brad Pitt (“Aliados”) não conseguiram levar público aos cinemas para verem seus filmes. Tom Hanks (“Sully: o Herói do Rio Hudson”) e Leonardo Di Caprio (“O Regresso”) conseguiram. Mas o ano de 2016 foi um duro golpe no star power por causa da eleição de Donald Trump à presidência dos EUA. Poucas vezes se viu um engajamento tão intenso por parte das celebridades americanas contra um candidato. Até mesmo os vingadores se uniram contra ele. Mais do que Hillary Clinton, o poder de apelo dos astros de cinema sai bem arranhado de 2016.

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