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Primeiro disco inteiramente de covers da banda se propõe tanto revisionista como homenagem ao gênero que ajudou a pavimentar o caminho dos Stones

Os Stones em show realizado no Rio de Janeiro em fevereiro de 2016
Divulgação/Site Oficial
Os Stones em show realizado no Rio de Janeiro em fevereiro de 2016

Os Rolling Stones deviam ao mundo um disco de blues. O gênero sempre esteve presente no trabalho da banda, mas jamais foi protagonista absoluto de um disco. Omissão esta reparada com o lançamento de “Blue & Lonesome”, primeiro álbum de estúdio desde “A Bigger Band” (2005) e primeiro inteiramente de covers lançado pelo grupo britânico.

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A ideia em dezembro de 2015 quando a banda se reuniu no estúdio British Grove, do guitarrista Mark Knopfler, era montar um álbum de inéditas. Em busca de inspiração, Mick Jagger , Keith Richards , Ronnie Wood e Charlie Watts começaram a tocar velhos blues que tanto os influenciaram. De repente, mais precisamente em três dias, eles tinham um disco chamado “Blue & Lonesome” .

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Conceitualmente o trabalho não poderia ser mais apropriado, já que revisa as principais matizes da obra cinquentenária dessa que é seguramente uma das maiores bandas de todos os tempos.

O disco é aberto por Just your fool , composta por Buddy Johnson em 1954. Com direito a gaita de Mick Jagger, a canção insinua o que verificaremos ao longo das 12 faixas que compõem o álbum: os Stones estão se divertindo e isso, claro, rende um disco para lá de memorável.

Capa do álbum de Blue & Lonesome
Divulgação
Capa do álbum de Blue & Lonesome

Ainda que não tenha nenhuma gravação original da banda, o álbum vai evoluindo e ganhando as características do grupo. Um fenômeno que apenas uma banda de tamanha envergadura como os Stones parece capaz de proporcionar.

Commit a Crime , de Howlin Wolf, é um blues mais tradicional e já conta com o grito das guitarras de Richards e Wood. O primeiro grande momento do disco surge com Blue and Lonesome , composta em 1949 por Memphis Slim, que teve uma clássica gravação de Little Walter , músico mais homenageado no disco. Gaita e guitarras rivalizam para construir uma sonoridade tão viva quanto triste adornada por uma das letras mais melancólicas do álbum. Vale o repeat, mas aí demorar-se-ia mais para ouvir a estonteante All of Your Love .

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A experiência de se ouvir o novo disco dos Stones é essa mesmo. Sentir que a música que se ouve é melhor do que a anterior. A banda está em forma e em constante sintonia e o clima festivo que permeia a obra transcende e atinge em cheio o ouvinte.

Mick Jagger pode até ser a grande estrela do disco – e era esperado que o fosse – mas Keith Richards também apronta das suas. A sexta faixa, Everybody Knows About My Good Thing , é sequestrada por sua enérgica guitarra. Os solos de Wood, por exemplo, são os protagonistas de Ride ´Em on Down , mas Richards também apronta por aqui.

Essa reunião de amigos, cheia de grandes momentos, se galvaniza em um dos discos mais pulsantes dos Rolling Stones em muito tempo. O fato de “Blue & Lonesome” ser inteiramente de covers talvez dignifique ainda mais o álbum e a banda em seu devido contexto histórico.

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