Tamanho do texto

Em entrevista ao iG, diretor geral do Centro Cultural São Paulo exaltou trabalhos underground na música e no teatro: "2016 é o novo 1973"

Em 2016, a cultura no Brasil não viveu seus melhores momentos. A participação de artistas na crise política fez com que os ânimos se acirrassem e, entre outras coisas, colocou em xeque as políticas públicas de fomento. Mas, em meio a tantas polêmicas, o produtor musical Pena Schmidt vê motivos para comemorar.

Leia mais: A música sobreviveu a 2016 e está mais forte do que nunca

Para Pena Schmidt, a cultura underground foi uma das coisas mais animadoras na cena em 2016
Reprodução/Instagram
Para Pena Schmidt, a cultura underground foi uma das coisas mais animadoras na cena em 2016

"As cenas estão se transformando e o subterrâneo está bombando", disse o diretor geral do Centro Cultural São Paulo em entrevista ao iG , comemorando o que tem visto na cultura underground.

Para ele, a música tem sobrevivido na cena subterrânea e o panorama para o futuro da cena musical é favorável. "Tenho a impressão de que daqui a algum tempo, 2016 vai ser lembrado como em 1973: um ano em que tudo deu errado, mas foi fértil", comparou. "Em 73, o petróleo acabou, mas surgiu a safra mais fértil do vinil brasileiro", lembrou Pena. "Este ano é o ano em que as ervas daninhas brotam e habitam o terreno."

Leia mais:  Sertanejo domina listas de músicas mais ouvidas no Brasil em 2016

Mas não é só na música que o underground anima. No teatro, o cenário é parecido. "Os diretores pegam as produções pequenas, sem artistas globais, e transformam em grandes espetáculos", disse. "[Essa modalidade] vai bem pra caramba", garantiu. Ele ainda lembrou da boa fase do CCSP, que promoveu espetáculos vencedores dos Prêmios Shell e APCA neste ano.

O produtor acredita que são nesses espaços pequenos onde a arte realmente floresce. "A música floresce nos pequenos buracos, nas casas de shows pequenos, nos lugares pequenos", explicou.

Altos e baixos

Apesar do bom cenário underground, Pena Schmidt reconhece que o ano teve diversos altos e baixos. Entre os pontos negativos, o produtor destaca a diminuição de apoio público a iniciativas culturais, como a Orquestra Jazz Sinfônica.

"Esse é o tipo de coisa que não existe sem que haja apoio oficial do Estado. Não dá para depender da iniciativa privada, as empresas não têm costume de mecenato no Brasil", explicou.

Leia mais: Disco com Criolo e Ney Matogrosso reverencia obra de Adoniran Barbosa

Enquanto o governo recua nas políticas públicas, parte da população ainda demoniza iniciativas como a Lei Rouanet, que financia produções culturais. Para Pena Schmidt, isso pode ser um grande erro. "Se as pessoas acreditam que um mundo sem arte é melhor, parabéns para elas. Mas eu acho que isso é um erro muito grande e a gente vai se arrepender no futuro", avisou.

Para 2017, Pena Schmidt acredita que quem trabalha com cultura continuará tendo que lutar. "Devemos  carpir o lote o tempo todo, administrar o dia a dia. Trabalhando com qualidade, você vai formando o público", explicou, deixando o papel político um pouco de lado. "Nós precisamos fazer nossas demandas, mas o papel político é para as instâncias políticas."

    Leia tudo sobre: músicas

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.