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Mesmo com alguns fracassos e gafes durante o ano, a televisão brasileira viveu bons momentos ao longo de 2016; listamos dez destaques

O ano de 2016 foi, de fato, complicado: o mundo se chocou com atentados terroristas, passamos por um período de infertilidade econômica e vivenciamos tragédias que não serão esquecidas. Entretanto, ainda é possível enxergar um lado positivo depois de tantos golpes. A televisão brasileira, por exemplo, mesmo com muitos momentos falhos, provou que podemos esperar – com otimismo – o que está por vir para o futuro. Relembre os dez momentos marcantes e que mais se destacaram na TV em 2016:

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Rio 2016

A abertura das Olimpíadas 2016 marcaram o ano da TV em 2016 e fez bonito com a crítica nacional e internacional
Divulgação
A abertura das Olimpíadas 2016 marcaram o ano da TV em 2016 e fez bonito com a crítica nacional e internacional

Pode até ser que o desempenho da delegação brasileira não tenha sido tão grandioso quando a nação esperava, porém a abertura das Olimpíadas Rio 2016 foram um espetáculo singular – a apresentação foi de encher os olhos e atraiu a atenção de todo o mundo para nossa história e nosso valor cultural, e isso foi, certamente, um dos momentos altos da TV em 2016 . A cerimônia que teve, pelo menos, quatro horas de duração foi concebida pelo grande cineasta brasileiro Fernando Meirelles com a produtora Daniela Tomas. A coreografia executada por milhares de participantes ficou por conta do veterano de olímpiadas, o americano Steve Boyd. E, claro, não poderiam faltar personalidades de destaque para coroar a abertura da Rio 2016: Ludmilla, Karol Conka, Elza Soares, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Anitta foram alguns dos artistas que deram o tom, sem contar a participação especial da modelo Gisele Bündchen . O Brasil agarrou a chance de se redimir pelo fiasco da abertura da Copa – e, pelo visto, foi muito bem sucedido.

Cobertura do Impeachment

A democrácia brasileira foi destaque na cobertura televisiva nesse ano cheio de surpresas e reviravoltas na política
Reprodução
A democrácia brasileira foi destaque na cobertura televisiva nesse ano cheio de surpresas e reviravoltas na política

O Brasil parou para acompanhar o processo de julgamento da presidente Dilma Rousseff – e as emissoras de televisão fizeram questão de transmitir esse momento histórico para todos os brasileiros. A cobertura completa e em tempo real que é, em geral, feita apenas pelas emissoras estatais, foi realizada nos principais canais do país – e a votação do julgamento do processo de impeachment que durou horas foi assistida de perto pelos espectadores como se fosse uma final de Copa do Mundo, com direito a fogos de artifício e torcida nas ruas. Momento histórico não apenas para a televisão, mas para a democracia brasileira.

Roda Viva

Apesar de polêmicas, a participação do presidente Michel Temer no programa
Reprodução
Apesar de polêmicas, a participação do presidente Michel Temer no programa "Roda Viva" foi destaque de 2016

O “ Roda Viva ”, exibido na TV Cultura há modestos 30 anos, se tornou um dos programas de entrevistas mais respeitados e relevantes do jornalismo brasileiro por sempre suscitar um debate bem fudamentado entre o entrevistado e os convidados da roda. As diretrizes do programa vêm sendo questionadas – por terem se despido da aparente neutralidade para uma posição conservadora, perguntas de tom panfletário e entrevistados com posicionamentos já esperados, fato que gerou uma polêmica com o cantor Chico Buarque recentemente – isso não tira a relevância e a importância de suas entrevistas. No início de novembro deste ano o “Roda Viva” colocou no centro da “roda” o presidente récem-empossado, Michel Temer . O episódio foi gravado no Palácio da Alvora, e não no seu estúdio tradicional. A favor ou contra, é certo que uma entrevista com o presidente da República em meio ao caos político não é algo de se jogar fora – e a entrevista completa, que durou quase uma hora e meia, está disponível no canal do Youtube do programa.

Jô Soares

Jô Soares fez história na televisão brasileira, mas esse ano o apresentador se despetiu nas telinhas
Carol Caminha/TV Globo
Jô Soares fez história na televisão brasileira, mas esse ano o apresentador se despetiu nas telinhas

Tragédia anunciada: desde que a temporada deste ano começou, todos já sabiam que o “ Programa do Jô ” estava fadado a conhecer seu fim – e esse tempo chegou recentemente. Na última sexta-feira (16) o apresentador encerrou, pelo menos por hora, sua trajetória na televisão entrevistando o quadrinista e amigo Ziraldo, que foi entrevistado nada menos do que 24 vezes. Foi uma despedida e tanto do apresentador que marcou a história da televisão. O final do “Programa do Jô” teve agradecimentos, lágrimas e, principalmente, deixou um legado dos programas de entrevista para os que se aventuraram no ramo depois dele.

Casseta & Planeta

A turma do
Guto Costa / Multishow / Divulgação
A turma do "Casseta & Planeta" voltou para a programação nesse ano no canal Multishow após anos afastados

Que atire a primeira pedra quem nunca deu boas risadas com “ Casseta & Planeta ” durante a década de 1990. Um dos grupos mais queridos do humor brasileiro – que era exibido na Rede Globo, mas foi encerrado em 2010 – finalmente voltou à ativa, dessa vez com “ Procurando Casseta & Planeta ” no canal Multishow. Com a mesma fórmula de sempre, mas com nova roupagem, era impossível que o retorno dos nomes que marcaram o humor brasileiro não agradasse. Os veteranos da comédia souberam rir de si mesmos e por várias vezes brincam com sua própria trajetória – como o episódio em que Hélio de la Peña diz que, após o fim do programa, foi de mal a pior – na forma de um “falso documentário”. Não tem erro, como sempre, “Casseta & Planeta” garante a diversão dos espectadores.

Tá no Ar: A TV na TV

Divulgação/TV Globo
"Tá no Ar: A TV na TV" presenteou o público com paródias com a dose certa de humor e irônia na televisão

Já listamos uma vez Cinco Razões que Fazem de “Tá no Ar” o Melhor Programa da TV Brasileira , mas as paródias que encerram os episódios do programa humorístico encabeçado por Marcelo Adnet fizeram com que “Tá no Ar” fosse um dos destaques que brilharam na televisão esse ano. O elenco consegue reunir de uma forma agradável e muito bem equilibrada a ironia e o absurdo de muitas situações – que são transformadas em uma quadro agradável, irreverente e muito bem produzido. 2016 foi, certamente, um bom ano para os programa de humor.

Programa do Porchat

Da internet para a TV, Fábio Porchat estreou seu programa de entrevistas na Record e está se saindo bem na função
Edu Moraes / Record
Da internet para a TV, Fábio Porchat estreou seu programa de entrevistas na Record e está se saindo bem na função

Famoso por seu humor de esquetes no canal do Youtube Porta dos Fundos , Fábio Porchat estreou esse ano seu talk show na Rede Record – e, para aqueles que desacreditavam do comediante, puderam ver que ele pode ir além das piadas roteirizadas que o levaram ao reconhecimento. Com um modelo inspirado nesse tipo de atração comum em emissoras estrangeiras, Porchat conduz entrevistas com personalidades com um tom natural e descontraído, mas sem perder a pose e tudo com muito profissionalismo. Ponto positivo para Porchat – que teve um dos piores filmes de 2016 .

Velho Chico

Caiuá Franco/Globo
"Velho Chico" apostou em temas sociais e se destacou na programação da TV em 2016 por sua qualidade e abordagem

Velho Chico ” marcou não somente pela sua história ou qualidade técnica – que, felizmente, são ótimas – mas também pelo trágico acidente envolvendo o ator Domingos Montagner no cenário em que a história se passava. A novela chegou a ser recusada pela Globo em 2012 por ser considerada excessivamente “política”, mas, por sorte, passou pelo crivo da emissora três anos depois e foi ao ar esse ano.  Vários aspectos podem ser apontados em “Velho Chico” na seara de diferenças para outras produções, como a opção por usar locações no Nordeste brasileiro e a montagem da cenografia com peças de segunda mão. Um tema fortemente presente ao longo de toda a novela era a crítica social, tornando-a, novamente, levemente singular em relações a outras. A morte do ator que vivia um dos protagonistas tão próxima ao final da trama chocou todo o país. O diretor, por sua vez, conseguiu uma saída artística – a de utilizar uma câmera em primeira pessoa – que não apenas agradou, mas emocionou as pessoas que ainda estavam ressentidas pela morte de Domingos Montagner .

Justiça

Divulgação/TV Globo
"Justiça" fugiu do tradicional e foi uma das produções mais interessantes da televisão durante o ano

A minissérie “ Justiça ” foi uma das apostas felizes que a Rede Globo fez esse ano no setor de dramaturgia. Dirigida por José Luiz Villamarim , a produção de 20 capítulos ficou no ar entre agosto e setembro. O formato diferente do usual – cada semana era desenvolvida uma história diferente com personagens diferentes, mas que dividem um mesmo universo. Um dos acertos de “Justiça” estava no roteiro, que abordou temas fortes como crime passional, tráfico de drogas e estupro, de uma maneira séria – e a atuação do elenco, que contou com Débora Bloch , Marina Ruy Barbosa , Adriana Esteves, Cauã Reymond, dentre outros, contribuiu para o efeito impactantes da minissérie. “Justiça” foi, sem dúvidas, um ponto alto desse ano na televisão – que, se seguir por esse caminho, em breve veremos outras produções que não devem nada para grandes séries internacionais.

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Sexo Gay

Raphael Dias/TV Globo
"Liberdade, Liberdade" trouxe o tabu do sexo gay para a frente das câmeras e levantou questionamentos sobre

“Liberdade, Liberdade” fez história na programação da TV aberta esse ano. Uma cena de sexo entre um casal homossexual foi exibida na novela “Liberdade, Liberdade”. Caio Blat e Ricardo Pereira protagonizaram o momento íntimo compartilhado pelos personagens André e Tolentino com grande habilidade – o desenvolvimento da cena foi excelente e conseguiu transmitir a emoção e a relação entre os dois homens. Além de ser a primeira cena de sexo gay na TV, o enredo da novela – que se passava e um período em que quem fosse pego “no ato” era condenado à forca – fez com que o momento se tornasse não apenas mais um dentro da história, mas ganhou um poder representativo maior, potencializando a discussão sobre homossexualidade. Esse fato, portanto, não poderia passar em branco na lista de melhores momentos da TV em 2016 .

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