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Fil Braz, que largou a carreira de professor para ser roteirista de cinema, teatro e TV, fala de "Minha Mãe é uma Peça 2"e trabalhos com Paulo Gustavo

"Minha Mãe é Uma Peça 2" estreou em 1055 salas de cinema em todo o país com a missão de repetir ou ampliar o sucesso do primeiro filme, que levou 4,6 milhões de pessoas ao cinema. Fil Braz, que assina novamente o roteiro do longa com o protagonista, Paulo Gustavo, largou a carreira de professor do sistema público há dez anos para se dedicar a escrever para o teatro, cinema e TV. 

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Fil Braz, roteirista de 'Minha Mãe é uma Peça'
Divulgação
Fil Braz, roteirista de 'Minha Mãe é uma Peça'

Além de " Minha Mãe é uma Peça " e o filme "Tô Ryca", com Samantha Schmütz , na TV ele faz parte da equipe de roteiristas dos programas  "Ferdinando Show", "Não Tá Fácil pra Ninguém", "Aí Eu Vi Vantagem” e "220 Volts" do canal Multishow, que ganhou versão para o teatro - onde assina também os espetáculos "Hiperativo" e "Online", também protagonizados por Paulo Gustavo.  

Leia mais: Veja o trailer de "Minha Mãe é Uma Peça 2"

Nesta entrevista ao iG , Fil Braz conta como desenvolveu "Minha Mãe é uma Peça 2" - que mostra Dona Hermínia como uma apresentadora famosa que não desgruda os olhos dos filhos Juliano (Rodrigo Pandolfo) e Marcelina (Mariana Xavier), que vão morar em São Paulo - , as comparações entre cinema e TV e seus próximos projetos.


IG: Como aconteceu a transição de professor para autor de teatro?

Fil Braz: Meu amigo Paulo Gustavo, com quem sempre tive muita afinidade, estava se formando no curso de teatro e me convidou para escrever com ele. Depois que as nossas ideias e projetos foram se materializando, foi ficando mais difícil conciliar as aulas com as reuniões criativas e a escrita propriamente dita. 

Usava essa veia cômica em suas aulas?

Eu uso essa veia cômica em tudo. O humor e a observação me salvaram desde os tempos de escola. Me salvaram da timidez, da insegurança, do bullying, da mesmice dos outros e de tudo. Eu uso sempre, até sem planejar usar.

Minha mãe é uma peça 2 estreou quinta-feira (22) nos cinemas
Reprodução
Minha mãe é uma peça 2 estreou quinta-feira (22) nos cinemas


Qual o maior desafio ao criar a continuação de "Minha Mãe é uma Peça"?

Eu não me senti desafiado. Mãe e família são assuntos que rendem. A vida da família de Dona Hermínia foi pra frente, assim como as vidas de Paulo Gustavo, de nossas mães, nossos parentes e a minha. A gente quis falar sobre a passagem do tempo e - é claro - sobre pequenas loucuras que acontecem nesse ambiente familiar. Se a gente parar pra observá-lo e quiser falar mais sobre ele, tem muito mais coisas ainda. Não esgota nunca.

Fica envaidecido pelos filmes que você escreveu terem milhões de bilheteria?

Não me envaidecem, mas me alegram. Dá vontade de fazer mais e dá mais confiança. Mas vaidade é um papo furado. Não é pra isso que eu escrevo. Eu escrevo pelo mesmo motivo que quis ser professor: comunicar e transformar.

O roteirista Fil Braz
Rodrigo Lopes/Divulgação
O roteirista Fil Braz

Há quem diga que as comédias atuais aproximaram o cinema da linguagem da TV. Como vê isso?

Quem diz isso considera essa aproximação uma degeneração do cinema, como se ele fosse uma arte audiovisual superior e se rebaixasse à linguagem de TV. Sem duvida há coisas que só o cinema permite fazer e é lindo-impressionante- sofisticado-chique quando ele faz. Mas nem todo filme é feito a serviço de se atingir esse status de arte elevadíssima. Às vezes o propósito é fazer uma crônica dos nossos costumes, criar identificação com um público maior. As comédias pretendem isso, e também é válido lembrar que não são só comédias que passam por isso. Lembro, por exemplo, do filme 'Olga', com Camila Morgado, ter sofrido essa crítica. Talvez seja mais uma discussão sobre o status de arte do cinema do que uma questão com as comédias.

Existe uma fórmula para escrever comédia no cinema?

Existem várias fórmulas. Cada um tem seu estilo, seu jeito e seus limites também. Até onde o autor vai, com o que ele brinca, com o que não brinca e aí vai criando sua própria fórmula.

Tem vontade de escrever para a TV aberta?

Eu tenho vontade de escrever bons projetos, histórias que eu acho que precisam ser contadas e falar de assuntos que eu sinto que precisamos falar. Se a TV aberta estiver realmente aberta, eu acho ótimo. Senão, eu me abro em outros cantos.

Projetos para 2017?

Sim! Todos para cinema. Mas em 2017 eu conto. Deixa eles ficarem mais parrudos (risos).