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Mortes de gênios e crises fizeram com que os músicos tivessem um ano difícil, mas a música mostrou mais uma vez a sua capacidade de se reinventar

Fazer música nunca foi fácil, mas a impressão é de que fazer música foi especialmente mais difícil em 2016. Seja pelas crises políticas e econômicas em todo o mundo ou pelas mortes de gênios, este ano mostrou que a música se mantém viva até nos momentos mais complicados.

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A morte de David Bowie, em janeiro, foi o primeiro baque que a música sofreu neste ano
Divulgação
A morte de David Bowie, em janeiro, foi o primeiro baque que a música sofreu neste ano

No Brasil, o ano não foi nem um pouco favorável para a música. A crise econômica atingiu em cheio a cultura. Com menos dinheiro, o brasileiro passou a frequentar menos shows e comprar menos CDs, DVDs e vinis, como mostrou um estudo feito pela Eventbrite . Os resultados foram shows vazios, turnês menores e cachês mais baixos, golpe que foi mais forte ainda para os artistas independentes.

A crise política também afetou o cenário cultural, tanto que o novo governo chegou a extinguir o Ministério da Cultura. Artistas e projetos de financiamento cultural ficaram sob a mira da sociedade, o que fez com que alguns governos cortassem políticas públicas voltadas para a cultura.

Se isso tudo teve um lado bom, foi fazer artistas voltarem a se posicionar. Tanto contra quanto à favor das mudanças políticas, músicos e cantores expressaram sua opinião e não ficaram incólumes ao momento político do País. Uma dessas bandas foi As Bahias e a Cozinha Mineira. "Perdemos cerca de 10 shows no Rio de Janeiro por sermos uma banda com histórico de puxar o 'Fora Temer' nos shows", contou o guitarrista Rafael Acerbi em entrevista ao iG .

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A banda fez parte de um dos movimentos mais icônicos da música brasileira neste ano. Ao lado de artistas como Liniker e Rico Dalasam , eles pregaram a desconstrução, combate à homofobia e igualdade de gênero – e saíram "lacrando" Brasil afora.

Movimento com Liniker e As Bahias e a Cozinha Mineira foi um dos mais repercutidos na música brasileira
Divulgação
Movimento com Liniker e As Bahias e a Cozinha Mineira foi um dos mais repercutidos na música brasileira

Apesar do cenário desfavorável, os músicos brasileiros mostraram a força da música nacional além do mainstream dominado pelo sertanejo: de um lado, os artistas independentes mostraram seu valor, do outro, o som das periferias, do funk ao tecnobrega, usou a internet como ferramenta para se espalhar e invadir todos os espaços.

A roda continua girando

Não foi só no Brasil que a música teve grandes baques em 2016. No cenário internacional, os tempos difíceis começaram logo nas primeiras semanas do ano, com a morte de David Bowie em janeiro. O ano ainda levaria outros dois gênios, Prince e Leonard Cohen .

Com bons discos e ainda produzindo trabalhos de qualidade, Bowie e Cohen deixaram uma ferida aberta entre músicos e fãs. As duas mortes inesperadas geraram comoção e mostraram como os ídolos vão gradualmente nos deixando.

Mas tanta tristeza não ofuscou o poder da música de se reinventar. Se Bowie, Cohen e Prince nos deixaram, outros nomes surgiram: Beyoncé , Kanye West e Frank Ocean mostraram que estão no topo de suas carreiras;  Radiohead e LCD Soundsystem nos lembraram que ainda estão por aí;  Chance The Rapper , Blood Orange e Angel Olsen garantiram que o legado está em boas mãos.

Para a música, 2016 não foi um ano fácil. Mas isso serviu para lembrar o que a faz tão apaixonante: a sua capacidade de se reinventar e sobressair a qualquer adversidade. A música sobreviveu a este ano, sobreviverá ao próximo e a todos os outros que estão por vir.

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