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Novo filme de Matheus Souza se abriga na memória do público dos filmes juvenis americanos para fazer uma crônica da geração na casa dos 20 anos

É difícil identificar no cinema brasileiro autores capazes de criar uma aura cult em torno de si. É claro que temos Claudio Assis, Domingos de Oliveira e Nelson Pereira dos Santos e essas referências só atestam o valor do feito de Matheus Souza , cineasta de 28 anos, cujo terceiro filme, “Tamo Junto”, estreia nesta quinta-feira (8) nos cinemas brasileiros.

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Leandro Soares e Matheus Souza dão vida ao bromance de Tamo Junto, comédia cheia de referências pop
Divulgação
Leandro Soares e Matheus Souza dão vida ao bromance de Tamo Junto, comédia cheia de referências pop

Parte final do que ele chama de “trilogia de baixo orçamento”, “Tamo Junto” sucede “Eu Não Faço a Menor Ideia do que tô Fazendo com a Minha Vida” (2012) e “Apenas o Fim” (2008). Em comum, os filmes apresentam uma radiografia da “geração canguru” com uma montanha de referências pop e um olhar atencioso para com os personagens.

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A diferença do novo filme em relação aos demais é que aqui há um investimento maior e mais elaborado no humor. Entre a comédia e o romance, Souza pincela um retrato febril das angústias e anseios de sua geração.

A trama começa quando Felipe ( Leandro Soares ) decide terminar o namoro para se divertir, mas a vida de solteiro se mostra muito mais dura do que ele imaginava. A começar pelo fato de que os amigos que dividiam o apartamento com ele o despejam, já que só cobriam a parte dele no aluguel porque sua namorada apresentava garotas para eles. Desempregado, ele acaba se reaproximando de Paulo Ricardo (Matheus Souza) e Julia ( Sophie Charlotte ), seus amigos de infância. Essa reaproximação acaba estremecendo a rotina do trio, que se flagra na necessidade de questionar valores e refazer escolhas para as próprias vidas.

Alice Wegmann e Matheus Souza em cena de Tamo Junto, que estreia nesta quinta-feira (8)
Divulgação
Alice Wegmann e Matheus Souza em cena de Tamo Junto, que estreia nesta quinta-feira (8)

Se experimentando como ator, Matheus Souza, que já havia atuado tanto no teatro como no cinema sob as ordens de Domingos de Oliveira, convence e responde pelo melhor personagem do filme. Paulo Ricardo não é só uma metralhadora de piadas e referências pop, mas também um personagem com alma e com conflitos muito bem desenhados pelo roteiro e pela atuação de Souza.

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Leandro Soares remete aos melhores protagonistas de filmes para o público jovem. Do Matthew Broderick de “Curtindo a Vida Adoidado” (1986) ao Michael Cera de “Scott Pilgrim Contra o Mundo” (2010). Sophie Charlotte e Alice Wegmann , em papéis menores, ajudam a aferir esse escopo de crônica geracional com personagens femininas fortes, mais seguras e convictas do que os homens, mas eventualmente invadidas pela dúvida.

“Tamo junto” parece um filme americano, na linguagem e nas referências, mas tem DNA totalmente brasileiro. É um exercício de gênero que ajuda a audiência a expandir a percepção do cinema nacional e subscreve o amadurecimento de Souza como cineasta. Como se não fosse o bastante, desperta a vontade de se apaixonar ou mais feliz por já estar apaixonado.

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