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Consolidado, evento demonstrou que tem potencial e demanda para voos mais ambiciosos nos próximos anos. Os acertos foram muitos, mas há queixas legítimas

Acabou a CCXP 2016! E que evento foi a Comic Com paulistana. Fez jus à pecha de maior feira pop da América Latina. Com números e saldo finais ainda por serem divulgados, não é absurdo projetar que em sua terceira edição, a CCXP já ganha relevância para competir de igual para igual com as feiras realizadas nos Estados Unidos. Foi JordanVogt-Roberts, diretor de “Kong – A Ilha da Caveira”, quem observou: “este é só o terceiro ano e vocês já têm esse tamanho e fazem este barulho?”. O diretor de “Guardiões da Galáxia 2”, James Gunn j á classificou esta edição como sua Comic Com favorita e isso tudo parecer ser apenas o aquecimento .

O primeiro dia da CCXP 2016 teve diversos destaques que animaram os fãs do univreso geek
Divulgação
O primeiro dia da CCXP 2016 teve diversos destaques que animaram os fãs do univreso geek


Os primeiros indicativos de que o conceito de épico transcenderia do slogan para a realidade surgiram conforme os estúdios e a organização do evento enfileiravam atrações internacionais para a CCXP . O público brasileiro recebeu mais de 80 artistas internacionais provenientes de diferentes mídias como cinema, HQs, games e televisão.

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A certeza de que a CCXP 2016 era a graduação da primeira Comic Com brasileira em algo muito maior e significativo no calendário da cultura pop mundial veio, no entanto, no curso desses quatro dias – encerrados no domingo (4).

A estrutura da feira cresceu sem sobressaltos e esse fator demonstra que a organização brasileira compreendeu não só a grandeza do evento e da ideia que dão forma, como assimilou que para lidar com demandas do primeiro mundo (como aquelas que estúdios e artistas estão acostumados a fazer) é preciso oferecer um serviço – e um produto – conforme.

Talvez isso explique um dos maiores contrapontos a se fazer à feira. Apesar da organização impecável, dos painéis que começaram pontualmente, do staff atencioso, bem informado e bem disposto, os preços foram desalinhados da realidade do brasileiro médio e, por consequência, do principal consumidor de cultura pop e, doravante, maioria entre os frequentadores da feira. Da alimentação aos colecionáveis, passando por todo e qualquer artigo – talvez com a honrosa exceção dos itens do artist´s alley – tudo que estava à venda na CCXP parecia ostentar um valor um pouco acima do bom gosto. E essa avaliação não comporta os produtos exclusivos que compreensivelmente devem ser mais caros.

Primeiro eu!

Um dos diferenciais de eventos dessa magnitude é justamente a oferta de material exclusivo. Nesse contexto, a Comic Com brasileira definitivamente viveu um ano divisor de águas. A Marvel, por exemplo, levou muita coisa inédita de “Guardiões da Galáxia 2” e produzida especialmente para o público brasileiro. A Paris Filmes, que estreava na feira, se esforçou para trazer o elenco de “Power Rangers” para o Brasil e garantiu o segundo painel mais concorrido do evento. Isso porque o primeiro foi da Netflix, que trouxe artistas de séries como “Sense 8”, “Shadowhunters” e “3%”, sua primeira série nacional. Além, é claro, de Neil Patrick Harris, para falar da aguardada “Desventuras em Série”, que estreia em janeiro. A empresa trouxe até jornalistas estrangeiros para cobrir o painel.

Confira alguns os cosplays que rolaram na terceira edição da Comic Con Experience
Verônica Maluf/iG São Paulo
Confira alguns os cosplays que rolaram na terceira edição da Comic Con Experience


Mesmo quem não trouxe talentos estrangeiros se esforçou para oferecer algo exclusivo. Foi o caso de estúdios como a Fox e a Universal.

Vibração

Uma das coisas mais legais do evento foi perceber a interação das pessoas motivadas pelos Cosplayers. Além da maciça presença de famílias, com uma quantidade expressiva e bem-vinda de crianças, os cosplayers foram a grande atração do evento e deu para sentir que a prática, tão enraizada lá fora, vai se consolidar como uma tendência forte por aqui. A adesão se verificou em todas as idades e a alegria das pessoas de estar naquele ambiente, compartilhando daquele momento, foi dessas coisas realmente vibrantes.

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Estandes deslumbrantes

A valorização do conteúdo nacional foi outro aspecto a se elogiar na feira. De filmes a quadrinhos, passando por séries, tanto em estandes como em painéis, o brasileiro viu o Brasil na Comic Com muito bem representado.

A engenhosidade rimou com interatividade para muitos expositores. O estande da Fox, em parceria com o canal Telecine, tinha uma plataforma de seis metros em que a pessoa podia reproduzir o icônico salto da Fé do game “Assassin´s Creed”, cuja adaptação cinematográfica estreia em janeiro. Os estandes da Netflix, da HBO e do canal Fox também foram atrações bem concorridas por estimular o inusitado e a interação.

A Netflix não participa da San Diego Comic Con, mas é presença confirmada nos estandes da CCXP
Divulgação
A Netflix não participa da San Diego Comic Con, mas é presença confirmada nos estandes da CCXP


Senta lá, Claudia!

Mas nem tudo foram flores na CCXP 2016. O visitante precisou exercitar a paciência. Especialmente no sábado e no domingo, para onde quer que olhasse, para onde quisesse ir, se deparava com filas e mais filas. Intermináveis.  Fica o alerta para a organização. O maior pavilhão de exposições de São Paulo talvez tenha ficado pequeno demais para o evento.

*Colaboraram Caio Menezes, Verônica Maluf, Rafael Belem e Karine Seimoha

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