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Lançado por financiamento coletivo, o livro do jornalista e crítico musical Bento Araújo relembra clássicos da época que fazem sucesso até hoje

Pouco reconhecido no país, a música psicodélica brasileira fez parte de um fenômeno musical entre os anos de 1968 e 1975 que resultou em diversos clássicos da música eternizados até hoje. De Tom Zé a Rita Lee, esse período de ascendência da criatividade contrapunha um momento obscuro da história brasileira, a ditadura militar. Entretanto, foi essa época que chamou a atenção do jornalista Bento Araújo que recentemente lançou o livro “ Lindo Sonho Delitrante: 100 discos psicodélicos do Brasil ”, reunindo obras imperdíveis da época.

O livro sobre a psicodelia no Brasil foi realizado graças a campanha de financiamento coletivo
Reprodução
O livro sobre a psicodelia no Brasil foi realizado graças a campanha de financiamento coletivo


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“Eu acho que por uma série de razões tem um fenômeno bem particular do Brasil que é das coisas estourarem lá fora primeiro para depois ser descoberto aqui”, afirmou o autor em entrevista concedida ao Portal iG . “A psicodelia não tem muita regra e desde os anos 90 pra cá tem sendo bem cultuado no exterior. Demorou um pouquinho, mas agora a galera aqui está ouvindo também”, completou.

O estilo musical já foi adotado por diversos festivais ao redor do mundo e, desde 2006, é o principal do festival Psicodália, que reúne vários nomes do rock psicodélico e de outras vertentes do gênero em Santa Catariana todos os anos. “É um evento que veio acabou reativando algumas bandas que não tocavam faz tempo”, afirmou o jornalista.

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Por mais que a psicodelia seja atrelada a músicos internacionais, como por exemplo com a anglo-americana The Jimi Hendrix Experience e a estadunidense Grateful Dead, o Brasil trouxe elementos para o movimento que são únicos da nossa cultura. “Reverencia, o bom humor, conseguir fazer tudo com falta de recurso, sem equipamentos e ainda conseguir narrar. São tão geniais quanto os Beatles”, comentou Araújo.

Seu livro leva um nome de uma música muito emblemática, do cantor Fabio, que lançou o compacto “Lindo Sonho Delirante” em 1968, o mesmo ano da instauração do AI-5, que censurou diversas manifestações de arte durante alguns anos no país. O trabalho faz referência à droga LSD, que diversas vezes é atrelada ao movimento da psicodelia. “A censura não pegou, passou e o disco foi lançado. Teve gente que sofreu muita repressão, mas também teve gente que conseguiu superar”, explicou o jornalista.

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A censura definitivamente não conseguiu barrar toda a criatividade que exalava na época, já que atualmente, graças a uma campanha de financiamento coletivo, um guia sobre toda essa produção cultural da psicodelia foi criado. Dos 100 discos psicodélicos do Brasil que Bento Araujo reuniu em seu livro, um para ele seria o começo de tudo e o que ele indicaria para que os interessados no estilo musical ouçam primeiro. “Eu acho que o disco emblemático é o Tropicália por ele ser um trabalho coletivo, de novos artistas. A meu ver, é o primeiro álbum do movimento psicodélico brasileiro”, afirma.

A nova música psicodélica

Atualmente, o cenário da música brasileira tem mostrado novas bandas no gênero ascendendo e fazendo sucesso ao redor do país. “Falando muito da descoberta brasileira, Boogarins está em um momento bem legal”, comenta o autor. Para ele, a cena da psicodelia está muito forte no Norte e Nordeste do país, com a formação de bandas como a pernambucana Anjo Gabriel e a alagoana Necro. “Essas são as que eu mais gosto”, confessa.

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