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Shirley Souza e Flávia Muniz lançaram seus novos livros na CCXP pela Editora Sesi e conversaram com o iG sobre protagonismo feminino na literatura

A história de que quadrinhos são coisa de meninos já ficou no passado. Prova disso é o crescente público feminino que esse tipo de literatura vêm ganhando.  E com isso, aumentam as demandas por publicações do gênero que satisfaçam as meninas. Contudo, essas

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personagens de quadrinhos femininas assumem uma posição masculina, virando verdadeiras "chutadoras de bundas". Em entrevista exclusiva ao iG na CCXP, as escritoras Shirley Souza e Flávia Muniz contaram um pouco sobre o que é ser mulher neste universo.

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No stand da Editora Sesi, na CCXP 2016, as autoras falaram sobre feminismo na literatura e protagonismo da mulher. Para Shirley, ao reduzir uma personagem a uma mera chutadora de bundas, ela está sendo planificada, superficializada. "Chutando a bunda, a mulher usa os mesmos artifícios dos homens." Fã de quadrinhos desde criança, encontra poucas opções de heroínas que partam para a ação sem deixar de lado sua feminilidade.

"A exceção que existe é a Thor, que assume o martelo quando o herói masculino não se torna mais digno. Contudo, a Jenny ainda tem a luta contra do câncer, que traz um pouco da delicadeza do feminino. Outra personagem que foge desse padrão é a Nimona, uma vilã tatuada, baixinha, gordinha. Mas a forma como o feminino  é trabalhado é delicado, fazendo com que o leitor muitas vezes torça por ela", comentou a escritora, que já conta com mais de 40 livros em seu currículo.

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Flávia acredita que isso se deve pelo fato de que a mulher teve pouca voz ativa ao longo dos anos. Então, quando uma mulher grita, ela está se libertando de anos de repressão. "A mulher tem que lutar  para se fazer ouvir. Ela não tem que se fazer ouvir porque é bonitinha ou boazinha. Temos que ser boas com quem nos respeita, nos ouve e nos compreende", afirma a escritora. Outra dificuldade apontada pela autora para consumir esse tipo de produto cultural é a idealização da mulher, sempre submissa e perfeita.

Apesar da enorme demanda por mulheres que não sejam mais as donzelas em perigo nos games e quadrinhos, a maioria dos quadrinistas ainda são homens. Isso é um reflexo da indústria tradicional, em que somente homens podiam exercer esses papéis. Em contrapartida, as escritoras acreditam que, para que as mulheres assumam um papel de protagonismo também na indústria literária, é necessário que se faça o que elas já vem fazendo: brigando por espaço, mostrando seu trabalho e a que vieram.

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Flávia também aponta que um dos meios de se fazer isso é pela educação. "A educação traz uma oportunidade rica e perigosa. se você usar para repetir modelos que já te sufocaram, você está só alimentando isso. se usar a oportunidade para fazer considerar a voz feminina, é uma oportunidade de lutar, de se fazer ouvir." A escritora estava lançando seu novo livro, "O Manto Escarlate", em que dá voz a uma bruxa, que julga outras mulheres e comete erros.

"É preciso saber a hora de chutar a bunda, e qual bunda chutar", finalizou Shirley, durante o lançamento de seu livro, "Alek Cirian", na CCXP 2016.

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