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Filme, que estreia nesta quinta-feira (1º), mostra amadurecimento emocional tortuoso de um pai que resiste a aceitar o filho com necessidade especial

Dirigido por Paulo Machline a partir do premiado livro homônimo de Cristóvão Tezza, “O Filho Eterno” é um filme agridoce. Intenso em sua propositura dramática, um pai que rejeita, ainda que silenciosamente, o filho com síndrome de down, e esperançoso nos arranjos narrativos buscados.

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O Filho Eterno: Marcos Vera em cena do filme que estreia nesta quinta-feira (1º)
Divulgação
O Filho Eterno: Marcos Vera em cena do filme que estreia nesta quinta-feira (1º)

Marcos Veras vive com minimalismo e calculada introspecção Roberto, um escritor que ansiava por seu filho, apenas para desprezá-lo após nascer com síndrome de Down. Veras acerta no registro e evita vilanizar esse sujeito que abarca os receios e angústias comuns em pais de crianças com essa deficiência. Boa parte de “O Filho Eterno” acompanha o personagem em sua fracassada tentativa de “consertar” o filho Fabrício. Fracassada porque o diagnóstico excede qualquer possibilidade de concerto, mas porque o quadro enseja, na verdade, a necessidade de Roberto abraçar a paternidade da maneira como ela se apresenta.

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Esse complexo trânsito de emoções e a permeabilidade do personagem constituem a grande beleza do filme de Machline que se vale, ainda, de uma metáfora poderosa com o futebol. Momentos decisivos do convívio familiar de Roberto se dão em dias de jogos decisivos do Brasil nas Copas do Mundo de 1982,86,90 e 94. Essa aproximação do futebol potencializa os efeitos dramáticos da trama, especialmente pela relação que o personagem tem com o futebol ao longo do filme.

Cena do filme O Filho Eterno: A sobre paternidade
Divulgação
Cena do filme O Filho Eterno: A sobre paternidade

Cheio de bem costuradas elipses, “O Filho Eterno” se assevera, também, como uma crônica sobre o casamento.  Desprevenidos e despreparados, Roberto e Cláudia (Débora Falabella) reagem diferentemente às circunstâncias que Fabrício aventa para a família. Sem emitir qualquer julgamento, até porque este seria tão torto quanto o caminho percorrido pelo personagem principal, o filme de Machline declina do final feliz em prol daquele mais verossímil. O que afere ao filme essa qualidade de ser uma produção agridoce.

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Muito do efeito que “O Filho Eterno” produz na audiência se deve única e exclusivamente a Marcos Veras. Responsável por um papel difícil, em que precisa nortear o olhar do público e ao mesmo tempo contê-lo, o ator se entrega de corpo e alma a esse registro dramático por ora incomum em sua carreira, mas, a julgar pelos resultados obtidos aqui, vocacionado à rotina.


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