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"O Filho Eterno" representa, ainda, incursão de Marcos Veras no drama, mas ele descarta qualquer insegurança: "Antes de ser comediante, sou ator"

Não é incomum que o cinema imponha a atores mais habituados à comédia, papéis dramáticos. Esse flerte, que muitas vezes parte dos atores, aprimora a percepção do público e desafia o intérprete. De Tom Hanks a Jim Carrey, muitos já passaram por essa transformação perante o olhar da audiência. O mais novo nome dessa lista é Marcos Veras, que estreia nesta quinta-feira “O Filho Eterno” , produção da RT Features de Rodrigo Teixeira baseada no livro homônimo de Cristóvão Tezza.

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O ator Marcos Veras em cena de
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O ator Marcos Veras em cena de "O Filho Eterno", que estreia nesta quinta-feira (1º)

“Antes de ser comediante eu sou ator”, observa Marcos Veras em entrevista exclusiva ao iG . “Eu acho que isso é mais uma surpresa para o público. É claro que esse é um desafio maior para mim. É meu primeiro protagonista no cinema e em um drama, algo que as pessoas não estão acostumadas a me ver, mas do ponto de vista do trabalho não é muito diferente de fazer comédia”.

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Em “O Filho Eterno”, Veras vive Roberto. Um escritor não publicado que vive a expectativa de ter um filho com sua mulher Cláudia (Débora Falabella). O nascimento de Fabrício se dá no dia do jogo entre Brasil e Itália pela Copa de 1982. Ainda no hospital, Roberto descobre que será pai de uma criança com síndrome de Down e isso provoca nele uma enxurrada de sentimentos tão complexos quanto contraditórios.  Esses conflitos, claro, afetam seu relacionamento com a mulher e seu trabalho.

Cena do filme
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Cena do filme "O Filho Eterno": sobre paternidade

“Esse personagem, eu acho que é muito rico para qualquer ator”, especula o intérprete de Roberto.  “A grande preocupação minha e do Paulo Machline (o diretor) foi de humanizá-lo. De não transformá-lo em um vilão. Por mais questionáveis que suas atitudes sejam, elas são atitudes de um pai naquelas circunstâncias. É fato que pais com filhos com síndrome de down tem um choque e tem toda essa questão do amadurecimento emocional”.

Veras ressalta, ainda, que “O Filho Eterno” é um filme sobre paternidade. De seu status inescapável e são dois os elementos que reforçam essa percepção do ator. O primeiro é o fato de Roberto ser escritor e estar constantemente questionando seu papel como pai. O segundo é uma metáfora presente no livro e aprimorada pelo filme. Momentos-chaves do convívio familiar de Roberto são invadidos por jogos decisivos do Brasil nas Copas do Mundo de 1986, 1990 e 1994. “No livro isso ocorria com o Atlético-PR. Era algo mais regional”, observa o ator, que é vascaíno.  Para Veras, é um mérito do filme melhorar essa metáfora pois a Copa do Mundo tem esse viés de “amor e ódio” que pauta o Roberto naquele momento.

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“A paternidade é algo que muitos homens não sabem lidar. Fogem, se tornam intratáveis, são muitos os casos.  Ser pai, muda a tua vida. A questão é como você vai reagir a isso. No caso do Roberto, o amor por Fabrício sempre esteve lá. Mas mascarado por um cegueira muito grande”, arrisca Veras ao analisar mais profundamente a questão abordada pelo drama.

Química natural

Sobre a parceria com Débora Falabella, o ator é só elogios. “Ela é uma atriz espetacular e sensível. A parceria se estabeleceu tão naturalmente que as pessoas perguntavam se a gente já havia trabalhado antes”, atesta. “Não fomos preparados, no sentido técnico. A gente resolveu se entregar ao set. À história. Foi um encontro muito feliz entre a gente e o Pedro Vinícius (ator que vive o filho do casal quando criança)”.

Marcos Veras e Pedro Vinícius em cena de
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Marcos Veras e Pedro Vinícius em cena de "O Filho Eterno"

A química de Marcos Veras, no entanto, não está afinada apenas com Débora Fallabela. Foram cinco lançamentos em 2016 nos cinemas. Dois estão por vir no primeiro trimestre de 2017. “Eu tive um ano muito feliz como ator e quero que esse namoro com o cinema continue por muito tempo”.