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Scorsese entre os diretores, forte presença negra, a glória de um musical que homenageia o cinema e um cineasta chileno são apostas para o Oscar 2017

A temporada de premiações do cinema já está em vigor. Nesta semana, o Critic´s Choice Awards, premiação outorgada por críticos americanos e que ganhou importância nos últimos anos, anuncia seus indicados. A entrega do prêmio que dá o pontapé definitivo na corrida pelo Oscar 2017 acontece no dia 11.

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Cena do filme
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Cena do filme "La La Land - Cantando Estações"

O rufo dos tambores para os amantes do cinema já está para começar e, nesse espírito, o iG antecipa dez filmes que muito provavelmente serão indicados ao Oscar 2017 . A cerimônia de entrega dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood acontece no dia 26 de fevereiro, mas com base na movimentação em festivais e no burburinho da crítica americana, é possível apontar alguns filmes e artistas que devem fazer parte da maior festa do cinema mundial.

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O triunfo do musical

Neste momento, o filme mais cotado, o que os americanos costumam chamar de frontrunner, é “La La Land – Cantando Estações”, novo filme de Damien Chazelle ("Whiplash – Em Busca da Perfeição"). A produção, estrelada por Emma Stone e Ryan Gosling, é uma história de amor situada em Los Angeles, mas também uma homenagem ao cinema em forma de musical. Queridinho da crítica, o musical é cotado em várias categorias, inclusive, filme, direção e atriz.

Põe na conta do Scorsese!

Ano que Martin Scorsese lança filme, é ano que Martin Scorsese concorre ao Oscar. Com exceção de 2010, quando lançou o excelente e subestimado “Ilha do medo”, desde 2002, quando estreou “Gangues de Nova York”, o cineasta é indicado ao troféu de direção e emplaca seu filme em múltiplas categorias. A expectativa é que com “Silence”, há muito na listinha de prioridades do veterano cineasta e que deve estrear em janeiro no Brasil, aconteça o mesmo.

Diretor Martin Scorsese ao lado do ator Andrew Garfield nos bastidores de
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Diretor Martin Scorsese ao lado do ator Andrew Garfield nos bastidores de "Silence"

Presença negra

Depois de dois anos conturbados com #oscarsowhite, a expectativa é que a academia abra espaço para os artistas negros brilharem. Bons filmes nessa descrição é que não faltam. Denzel Washington, por exemplo, dirige e protagoniza “Fences” (ainda sem título em português), que também deve levar Viola Davis ao Oscar novamente. “Moonlight”, “O Nascimento de uma Nação”  e “Loving” são filmes com temáticas robustas contra o preconceito e capitaneadas por artistas negros.

Força latina

O cartaz do aguardado
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O cartaz do aguardado "Fences"

Se o México, com os triunfos de Alejandro Gonzáles Iñárritu e Alfonso Cuáron entre os diretores, foi destaque nos últimos anos, tudo indica que o Chile roube a cena em 2017. Isso porque o elogiado e cult Pablo Larrain chega com dois filmes bem fortes. O primeiro é “Jackie” , destaque no festival de Veneza e que aborda a vida da mais famosa e investigada primeira dama da história dos Estados Unidos. O segundo é “Neruda”, saído de Cannes e candidato latino mais forte da América Latina no Oscar – já que “Aquarius” não concorre entre as produções estrangeiras. A soma dos fatores aqui só ajuda um denominador comum: mesmo que não ganhe nada, Larrain vai estar no Oscar.

Os filhos de Sundance

Todo ano um filme saído de Sundance consegue se capitalizar durante o ano e chegar ao Oscar com a pecha e o charme de indie do ano. Em 2017, esse filme é “Manchester à Beira-Mar”, que deve render, ainda, indicação ao Oscar de melhor ator para o irmão mais novo de Ben, Casey Affleck.

Amy Adams

Protagonista de dois dos filmes mais comentados da temporada, Amy Adams deve receber sua sexta indicação ao Oscar em 2017. Seja por “A Chegada”, de Denis Villeneuve, ou “Animais Noturnos” , de Tom Ford, espere ouvir o nome dela quando os nomeados forem divulgados em 24 de janeiro.

Brasil x França

Uma das disputas mais inusitadas e interessantes da corrida pelo Oscar vai se dar antes mesmo das indicações. Isso porque a categoria de melhor atriz é simpática à inclusão de atrizes estrangeiras, mas é protecionista quando se trata de estrangeiras por filmes estrangeiros. Nesse contexto,  temos Isabelle Huppert pelo filme “Elle”, de Paul Verhoeven, e  Sonia Braga por “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho. Ambas estão excelentes, mas a primeira leva vantagem por ter sido dirigida por um cineasta com trânsito nos EUA e “Elle” representar a França na disputa dos filmes estrangeiros.

O tamanho de uma parceria

Clint Eastwood e Tom Hanks no set de
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Clint Eastwood e Tom Hanks no set de "Sully"

Clint Eastwood e Tom Hanks são dois contumazes favoritos da Academia que há algum tempo não conseguem voltar ao Oscar. Hanks passou perto com “Capitão Phillips” em 2014 e Eastwood até viu alguns de seus filmes nomeados recentemente, mas em categorias de pouco prestígio. Tudo indica que “Sully – O Herói do Rio Hudson” mude esse panorama. Será? Mesmo que ator e diretor não recebam indicações, o filme deve figurar na lista da academia.

O perdão a Mel Gibson

Há dez anos sem filmar, Mel Gibson lançou em 2016 o filme pacifista “Até o Último Homem”, que conta a história de um homem que passou pela 2ª guerra sem disparar um tiro sequer. Não dá para dizer se Gibson será destacado nas categorias mais nobres, mas é improvável que um filme tecnicamente tão vigoroso fique de fora do Oscar. Se entrar na disputa, o gesto seria percebido como um perdão, ainda que informal, da comunidade de Hollywood às asneiras proferidas pelo astro australiano há mais de uma década atrás.

Ano de regressos?

Além de Mel Gibson, Hollywood pode consagrar o retorno à boa forma de muita gente querida. Warren Beatty, depois de 15 anos, está na praça com sua biografia do excêntrico milionário Howard Hughes (“Rules don´t Apply”). Nicole Kidman pode voltar ao Oscar por “Lion” e Liam Neeson, depois de uma temporada dedicada a ação, pode ser lembrado entre os coadjuvantes por “Silence”.