Tamanho do texto

A Cahiers du Cinéma divulgou sua lista com os melhores filmes do ano; filme alemão leva primeiro lugar e brasileiro "Aquarius" ficou com a quarta posição

Um dos veículos mais importantes do circuito internacional da sétima arte – a revista Cahiers du Cinéma – publicou nessa terça-feira (29) uma lista com os dez melhores filmes de 2016. O primeiro lugar ficou por conta de uma mulher, Maren Ade, que dirigiu “Toni Erdmann”. A produção brasileira também garantiu seu lugar com “Aquarius”, do diretor Kleber Mendonça Filho, ficando em quarto lugar do ranking.

                Leia mais:  Cahiers du Cinéma e Sight & Sound divulgam listas de melhores filmes de 2015

Divulgação
"Aquarius", de Kleber Mendonça Filho, ocupou a quarta colocação na lista francesa de melhores filmes de 2016


Dentre os dez selecionados, nove são europeus – e a maioria das produções são francesas ou alemãs. O mais do que consagrado Pedro Almodóvar assegurou a posição da Espanha, conquistando o sexto lugar com “Julieta”. A diretora Claire Simon foi a responsável por trazer um documentário – “Le Bois Dont Les Rêves Sont Faits” – para a lista de melhores filmes de 2016 . Confira o ranking completo abaixo:

Toni Erdmann – Maren Ade – Alemanha e Áustria

Elle – Paul Verhoeven – França, Alemanha e Bélgica

Demônio de Neon – Nicolas Winding Refn – Dinamarca/França/Alemanha

Aquarius – Kleber Mendonça Filho – Brasil

Mistério na Costa Chanel – Bruno Dumont – França

Julieta – Pedro Almodóvar – Espanha

Na Vertical – Alain Guiraudie – França

La Loi de La Jungle – Antonin Peretjatko – França

Carol – Todd Haynes – Estados Unidos e Reino Unido

10º Le Bois Dont Les Rêves Sont Faits – Claire Simon - França

Controvérsias de “Aquarius”

 “Aquarius” ganhou fama após o protesto realizado por seu diretor – Kleber Mendonça Filho – e elenco realizarem um protesto contra o impeachment da então presidente, Dilma Roussef, no Festival de Cannes no início deste ano. Desde então a produção dividiu opiniões, mas, uma coisa estava certa desde o início: o filme não passaria despercebido nem por aqui em solo nacional, nem aos olhos da crítica internacional. Estrelado por Sônia Braga – que ficou durante 20 anos afastada das telas de cinema – o filme era um dos indicados à Palma de Ouro, principal prêmio do Festival de Cannes, e, desde seu lançamento, já arrecadou mais de 15 indicações e 10 prêmios.

                Leia mais:  Intenso e sensorial, “Aquarius” é muito mais do que metáfora política

A obra do diretor de “ O Som Ao Redor ” era a favorita para disputar o Oscar em 2017 representando o Brasil, mas quem acabou entrando para a briga foi “Pequeno Segredo”. Não faltaram críticas para os dois lados, tanto as que elogiavam a decisão de deixar “Aquarius” de fora, quanto as que duvidavam da indicação de seu concorrente. Muitas pessoas chegaram a questionar se o protesto realizado em Cannes teria levado ao boicote do filme.

E os desentendimentos acerca de “Aquarius” não param por aí: além da produção ter se envolvido em um amplo debate político extremamente polarizado entre aqueles que eram contra ou a favor do governo vigente, houve, também, um caso envolvendo a classificação indicativa da obra nos cinemas brasileiros. O Ministério da Justiça declarou que a classificação de “Aquarius” deveria ser de 18 anos, porém o recurso foi questionado sob a alegação de censura – afinal, a medida iria restringir muito o alcance de público nas salas comerciais. No final a justiça recuou e a produção ficou com a classificação de 16 anos.

Destaques: “Toni Erdmann” e “Demônio de Neon”

Divulgação
"Demõnio de Neon" foi um dos nomes mais inesperados da lista de melhores filmes de 2016

A crítica não poupou elogios à “Toni Erdmann”, da diretora Maren Ade – que foi exibido no Brasil como um dos destaques do Festival do Rio, em outubro – que foi coroado como o favorito da revista Cahriers du Cinema nesta terça-feira (29). A produção que equilibrou com maestria drama e comédia em uma única narrativa entrou ainda neste ano para a lista de 100 melhores filmes do século XXI, eleita pela BBC.

Leia mais:  Com necrofilia e canibalismo, "Demônio de Neon" devassa fachada do mundo da moda

Já a escolha de “Demônio de Neon” – protagonizado pela atriz Elle Fanning – para um dos melhores filmes de 2016 pode ser bastante surpreendente para muitas pessoas: o metascore do filme é de 51 pontos e muitos veículos internacionais – como a Variety e o The Hollywood Reporter – não fizeram boas avaliações da produção, dando, respectivamente, 50 e 40 pontos para a obra delirante e chocante do diretor Nicolas Winding Refn.

    Notícias Recomendadas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.