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Atriz brilha como Elis Regina em novo filme e defende a cantora: "Ela é atemporal, tem uma obra colossal, de uma qualidade brilhante"

Depois de protagonizar os dois filmes da comédia "Muita Calma Nessa Hora", Andreia Horta volta ao cinema para o maior papel de sua carreira – até agora – em " Elis ", filme em que interpreta Elis Regina .

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Andreia Horta fez três meses de preparação vocal e corporal para viver Elis Regina em
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Andreia Horta fez três meses de preparação vocal e corporal para viver Elis Regina em "Elis"

"A Elis é atemporal, tem uma obra colossal, de uma qualidade técnica, musical e artística brilhante", contou Andreia Horta em entrevista ao iG . No filme, ela interpreta a cantora desde sua chegada ao Rio de Janeiro, aos 19 anos, até a morte, aos 36. "Nenhuma obra abarca uma vida inteira", explicou sobre o recorte do filme, focado no período em que a Pimentinha estourou em todo o País.

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Fã de Elis, a atriz se aprofundou na vida da cantora. "Temos bastante coisa em comum na vida pessoal, mas só coisas boas", disse. "A coisa dela sair da cidade dela e ir pro mundo tão jovem me deu muita força", lembrou a artista, que é natural de Juiz de Fora, em Minas Gerais, mas fez a carreira em São Paulo. Além disso, ela fez preparação vocal e corporal por três meses para interpretar as cenas de shows e apresentações.

Resgate artístico e ideológico

Aos 33 anos, Horta faz parte de uma geração que ainda lembra de Elis Regina, apesar de ter nascido após a morte da gaúcha. Para ela, muita gente mais jovem sequer sabe quem foi a cantora, e uma das funções do filme é resgatar essa memória. "A preservação da memória dos artistas no Brasil é muito triste", comentou.

Andreia Horta interpreta Elis Regina em
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Andreia Horta interpreta Elis Regina em "Elis", que chegou aos cinemas brasileiros nessa quinta-feira (24)

Além de resgatar a história artística de Elis Regina, o filme conta a atuação política da cantora, que fez toda sua carreira durante a ditadura militar. "Não se posicionar claramente naquela época era uma coisa inaceitável pela maioria atuante", explicou a atriz. Para ela, hoje a história é diferente. "O artista é antes um cidadão, ele não tem obrigação de manifestar publicamente suas posições políticas", defendeu.

Durante sua trajetória, Elis foi duramente criticada por ter cantado na abertura das Olimpíadas do Exército em 1973, no auge de sua carreira. O filme conta que a cantora foi coagida por militares para participar do evento. "Os militares pegaram a Elis antes, ela foi bem perseguida. Não tinha imprensa para ela dizer que foi coagida", lembrou a mineira.

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Para Andreia Horta, a função do artista hoje não é mais a mesma dos anos 1970 e 1980. "Eram tempos sombrios naquela época, hoje são tempos muito claros", explicou. "A função do artista não é dar sua opinião sobre o que legal ou o que não é legal, a função do artista é provocar a sociedade para um alavanque de evolução, é botar uma luz, provocar que você pense alguma coisa", continuou, mas deixando claro que isso não é uma obrigação. "Até porque achar que alguém é obrigado a qualquer coisa é coisa de ditadura."