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A banda Scalene lançou o primeiro DVD ao vivo em julho e conta como está sendo a turnê de divulgação do trabalho e sobre planos de um novo disco

Indicada ao Grammy Latino  na categoria “Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa” com o álbum Éter, cujo resultado sai nesta quinta-feira (17), a banda Scalene segue em ascensão desde a sua aparição no reality show Superstar, da TV Globo. Diferente de muitas bandas que caem no esquecimento após o fim do programa, a banda de Brasília conquista cada vez mais espaço entre os fãs de rock.

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Além do Grammy, a banda Scalene também concorre ao Prêmio Pindorama nas categorias “Artista do ano” e “Show do ano”. O prêmio foi criado neste ano com a intenção de valorizar as bandas brasileiras. A cerimônia de premiação será em dezembro, no Hangar 110, importante casa de shows do cenário alternativo e underground brasileiro.

Em julho deste ano, Gustavo Bertoni (vocal e guitarra), Tomás Bertoni (guitarra), Lucas Furtado (contrabaixo) e Philipe Nogueira (bateria e vocal) lançaram seu primeiro DVD Ao Vivo, gravado no Estádio Nacional, em Brasília. Desde então, eles vêm lotando shows Brasil afora.

A banda Scalene ficou em segundo lugar no Superstar de 2015 e conquistou uma legião de fãs pelo Brasil inteiro
Divulgação/Breno Galtier
A banda Scalene ficou em segundo lugar no Superstar de 2015 e conquistou uma legião de fãs pelo Brasil inteiro


Na entrevista abaixo, Tomás Bertoni fala sobre o disco Éter, o primeiro DVD, álbum novo e responsabilidade com os fãs. Confira:

iG : Como foi a transição do Real/Surreal para o Éter?

Tomás Bertoni : A gente sempre estabeleceu metas alcançáveis. Acho que todo mundo tem sonhos grandes, mas a gente sempre teve maturidade para saber até onde a gente podia chegar com cada produto que a gente lançava. No Real/Surreal, a nossa intenção era conquistar de certa forma o underground independente, conquistar um respeito da galera que consome esse tipo de música e a gente conseguiu isso. Então, a transição do Real/Surreal para o Éter foi: “Tá, e com o Éter, qual é a nossa intenção? Como vai ser?”. Ainda nem tinha esse nome. E a intenção do Éter foi dar um novo passo, com o disco e com outras formas, para viabilizar um reconhecimento nacional. Então, essa transição foi muito cheia de pensamentos, raciocínios e composições giravam em torno disso. E eu acho que com o Éter a gente conseguiu um bom meio-termo de músicas que são acessíveis com músicas que também desafiam o ouvinte, então acho que a transição se permeou nesses pensamentos.

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iG: Quando vocês sentiram que o objetivo do Superstar, que era chegar até mais pessoas, tinha sido alcançado?

Tomás Bertoni: Eu acho que depois do primeiro programa, a gente saiu de 47 mil likes no Facebook para 105 mil. Aí falamos “É, tem muita gente que assiste”. Vamos realmente parar para pensar e ver como vamos nos portar nesse programa para chegar onde a gente quer. E eu fico muito orgulhoso de como a gente fez isso porque tinham muitos caminhos diferentes, muitas opções e os caminhos que nós pegamos foram bons, então continuamos fazendo o que já fazíamos, mas em novas proporções.

iG: Vocês estão planejando um novo disco?

Tomás Bertoni: Nós estamos muito focados no DVD agora, porque o Superstar ditou uma coisa que foi o real/surreal e o éter terem sido relançados. E para uns 60%, 70% do nosso público, os dois discos foram novos ao mesmo tempo. Aí a ideia do DVD foi um pouco isso: juntar essas duas coisas, colocar algumas inéditas e lançar o DVD, que é a discografia do Scalene até estourar. Nós enxergamos assim. Agora estamos compondo e preparando um novo trabalho, mas ainda não tem nada definido, nenhuma previsão.

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iG: Como está sendo a turnê do DVD?

Tomás Bertoni: Muito legal! O Scalene é uma das bandas de rock que mais faz show no Brasil hoje em dia, se não for a que mais faz. É legal porque eu trouxe os meus contatos da época que eu fechava shows, logo no começo. Nosso produtor de estrada tem contato do Sesc, nosso escritório é muito bom. Se você pegar outras bandas, até o fim do ano eles têm uns 4 ou 5 shows, a gente tem 15. Mas eu digo isso como uma coisa boa pra gente, porque funciona e é legal porque a gente gosta de estar na estrada, então o Scalene está sendo o artista que tá na estrada e é tudo meio nebuloso. A gente lembra de cada show, e não há distinção entre “turnê do DVD” ou “turnê do Éter”. Nós estamos fazendo shows, sabe? Estamos mudando cada vez mais o setlist. Esse ano a gente fez seis shows em São Paulo, então precisamos mudar porque tem muita gente que vai em todos.

iG: Vi que o DVD só tinha uma parceria. Como foi a escolha da pessoa que participaria de uma das músicas?

Tomás Bertoni: Ia ter uma segunda participação, mas a pessoa cancelou seis dias antes da gravação do DVD. Ficou muito em cima para pensar numa segunda parceria. Só que a participação do Vitinho (Victor, vocalista da banda Bullet Bane) é na sexta música. É logo no começo do show porque ia ter uma outra participação na décima quarta música, mas decidimos ficar com uma participação só. Escolhemos o Vitinho porque a gente gosta de Bullet Bane desde quando eles eram “Take Off The Halter”, que era uma pegada pop/punk/hardcore e eles mudaram para uma vibe mais hardcore e dance meio “Deftones”. Nós sempre curtimos muito o Vitinho, é um cara gente boa e foi uma forma de chamá-lo para reconhecer o nosso passado. A outra participação era para reconhecer o nosso futuro, mas não deu certo.

iG: O Gustavo tuitou que um pai levou o filho para um show do Scalene e depois este pai mandou um e-mail dizendo que vocês são um exemplo para o filho dele. Como vocês veem esse feedback?

Tomás Bertoni: Acho engraçado porque para o público mais velho, principalmente pai e mãe,  tem uma visão de que rockeiro é muito doido, faz merda. E não tem nada a ver. Um show de rock dá muito menos problema do que qualquer outro tipo de música. O Scalene já fez mais de 200 shows, teve uma briga. E foi uma briga tipo assim, os seguranças separaram, expulsaram o cara que brigou e o show continuou normalmente. Tem muitos pais e mães que se surpreendem com a nossa postura também porque acham seremos uns rockeiros arrogantes, doidos e aí chega no show e conversamos normalmente, eles se surpreendem. Não é nada demais, não estamos fazendo mais do que a nossa obrigação. Mas às vezes isso surpreende, então esse pai nos mandou um e-mail agradecendo.

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iG: Vocês acham que têm alguma responsabilidade com os fãs? Qual?

Tomás Bertoni: Sim, vejo que temos duas responsabilidades. Uma é a de suprir as expectativas do público em cada show, e isso é grande. A gente não sabe, mas tem um cara aqui que ouviu Scalene e, por motivos pessoais, as músicas da banda tomaram uma proporção muito importante e esse show vai ser uma catarse para ele continuar seguindo com a vida. Então nós temos essa responsabilidade. A outra responsabilidade é com a galera que acompanha a gente de uma forma visceral e que também tem a ver com expectativa, mas é diferente, mais profunda. A cada post que a gente faz, tudo o que a gente fala nas nossas mídias pessoais, tudo o que a gente fala em qualquer lugar, tem gente que lê e interpreta tudo. Então, se o Lukão (baixista da banda) tuita que The Walking Dead é paia (gíria que significa uma coisa ruim, sem graça), vai ter muita gente repensando os motivos que fazem elas gostarem de The Walking Dead. Parece besteira, mas não é. E isso é uma responsabilidade. Às vezes é só uma piada. Então tem a responsabilidade do show, de uma coisa mais específica e tem a responsabilidade do dia-a-dia. É difícil porque a gente vive 24 horas por dia sabendo que nós somos essas pessoas. Mas levamos numa boa, não é um problema, mas é uma responsabilidade que levamos a sério e eu acho que lidamos bem de uma forma geral.

iG: Vocês vão lançar mais algum single do Éter?

Tomás Bertoni: Não, ainda mais porque lançamos singles depois do Éter (Vultos, Entrelaços e Inércia, que estão só no DVD). O Scalene vai fazer alguma coisa com esses singles ou vamos direto para o próximo trabalho, não decidimos ainda.

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