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Experiências pessoais na prisão e desafios vencidos são a essência de "Flor de Lótus", o mais novo trabalho de Dexter, que será lançado neste domingo (13)

O nome do rapper Dexter não veio à toa – ele o escolheu por ser o mesmo do filho de Martin Luther King após ler uma autobiografia do ativista. Por essa escolha já é possível entender que a liberdade e a espiritualidade são dois pontos chaves na vida e na carreira do músico, que, desde a década de 90, é um personagem ativo na cena do rap no país.

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Rapper Dexter se apresenta nesse final de semana no auditório do Ibirapuera.
Divulgação
Rapper Dexter se apresenta nesse final de semana no auditório do Ibirapuera.


Neste domingo (13), Dexter promete lotar o auditório do Ibirapuera com as mensagens de seu novo trabalho, " Flor do Lótus" . O álbum traz uma mensagem muito pessoal e está repleto de simbologia, a começar pelo nome. "A flor de lótus é muito representativa para mim. Ela nasce no lodo e é muito conceituada no oriente. Ela simboliza uma espiritualidade iluminada” disse o rapper Dexter em entrevista ao IG . “Essa planta é todo cara, toda mina da periferia que batalha pela sua vida. Todos eles são flores de lótus. São pessoas em busca dos seus sonhos, bonitas por dentro” completa ele.

A “Flor de Lótus”

“Esse disco retrata minha vida desde o final do meu exílio e o começo da minha liberdade ”. Dexter viveu no "exílio" – como chama o período em que viveu na prisão – e, após atravessar esse momento, produziu seu novo trabalho. “As músicas retratam meu dia a dia, todas as mazelas, todas alegrias e tristezas, mas, sobretudo, a vitória de dar a volta por cima” disse o músico quando questionado sobre sua inspiração para compor o álbum.

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Dexter escolheu nomear o tempo em que esteve preso de exílio porque, para ele, “quem está preso está pela consciência. Eu apenas fui privado de viver minha liberdade. Eu fazia com que minha espiritualidade fosse minha forma de encarar aquilo, minha forma de estar além das muralhas”. Ele também conta que suas músicas eram uma maneira de estar presente do lado de fora da prisão.

“O ‘Destino do Réu’ é a canção que narra um período em que fui para a cadeia de segurança máxima, que havia sido transformada no quartel general do comando”, fala Dexter sobre uma das músicas mais impactantes do álbum . “Eu sempre soube que quando a coisa piora é porque em breve a liberdade vai cantar”, conclui, sobre um dos momentos mais difíceis nesse período. Após 6 meses nessa unidade, o rapper passou para o regime semi-aberto.

Aprendizado e preconceito

“A rua tem dois lados, mas se você andar bem no meio será atropelado. Foi isso que aprendi com o tempo” disse o rapper sobre suas experiências de vida e como elas o trouxeram para o lugar em que está hoje. “O rap transformou tudo que vivi em sabedoria . Aprendi a encontrar um lado positivo em tudo isso”. Mesmo com pedras no caminho, a música foi a maneira que Dexter encontrou de canalizar todo seu passado e, a partir dele, criar algo maior que o levasse para outro nível de consciência e espiritualidade.

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Além disso, o rapper falou sobre como outras experiências moldaram o músico que é hoje. “O preconceito sempre andou lado a lado comigo. Sou nascido na favela, continuo a ser preto, o cara da periferia. Hoje eu me tornei o Dexter, sou conhecido na rua, no mercado, mas não posso achar que está tudo bem por isso. A maioria das pessoas ainda tem muito preconceito comigo. Não posso fingir que isso não me atinge”, desabafou.  Suas letras – que a fortemente influenciadas por suas vivências – estão cheias de marcas dessa violência que viveu ao longo de todos esses anos.

Parcerias e show

O show contará com a participação de diversos músicos, como Péricles , Ed Motta , Edi Rock e Katinguelê . Para Dexter, todos os artistas que já cruzaram seu caminho têm grande representatividade em sua carreira. “As parcerias e participações têm todas sua devida importância para mim. Todas me influenciaram positivamente em relação ao que eu canto hoje”, comentou a respeito.

Segundo ele o show foi todo montado para expressar ao máximo as emoções presentes no álbum Flor de Lótus . “Espero que o público consiga sentir exatamente a emoção desse trabalho. Estamos produzindo tudo de forma diferenciada, dessa vez vamos trazer o teatro para dentro do show para que as pessoas possam sentir de fato o que cada música representa”, promete.

Dexter, ainda, falou sobre a importância de estar se apresentando nesse contexto. "Quero mostrar que, sim, o Ibirapuera também é lugar de rap e que nossa música também é música. A gente precisa ocupar um lugar que também é nosso, independentemente do preconceito que sofremos. Estamos fazendo a revolução e temos que compartilhar essa revolução. Somos um elo da evolução".

Informações

O show do rapper Dexter acontece às 19h deste domingo (13) no auditório do Ibirapuera às 19h. As entradas custam entre R$10 e R$20 e a classificação indicativa do show é de 12 anos.

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