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Rapper se apresenta com o filho e discute a nova fase do rap carioca: "Hoje em dia, todo mundo faz beat, mas isso não quer dizer que são beats bons"

Mais de uma década depois do sucesso de “Loadeando”, Marcelo D2 voltará a dividir o palco com o filho Sain nesta sexta-feira (11), em São Paulo. Ambos estarão no KTT ZOO Tour, projeto que reúne artistas cariocas para mostrar a força do gênero na Cidade Maravilhosa.

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Marcelo D2 e o filho Sain
Wilmore Oliveira/Divulgação
Marcelo D2 e o filho Sain


“Dividir o palco com meu filho, poder cantar com ele, viajar com ele, estar na estrada com ele, isso tudo é muito especial", contou Marcelo D2 em entrevista ao iG,  considerando essa parceria com Sain um dos pontos altos de sua carreira. “Já dividi o palco com muita gente de todo o mundo, mas fazer com meu filho é legal demais”, derrete-se.

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Com 25 anos completados nesta semana, Sain enche o pai de orgulho. “Não é surpresa esse sucesso dele. Ele canta comigo desde os 4 anos, eu o vi caminhando até chegar lá”, contou D2.

Além de Sain, o KTT ZOO Tour também terá outros nomes da nova geração do rap carioca, como Nectar Gang, Lucas Carlos, Akira Presidente e DJ Nuts . Todos eles seguem um caminho aberto por D2 nos anos 1990. “Quando eu comecei no rap, era só eu, o Gabriel [ O Pensador ] e o MV Bill" , lembrou. “Está acontecendo muita coisa agora, o rap está começando a tomar espaço no mainstream”, disse, mas pontuando que o gênero ainda precisa de muito fomento. “A gente precisa de um mercado forte para todo mundo que vive da cultura. Não só para os cantores, mas também para os editores, os fotógrafos e todo mundo da cena”, afirmou.

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Pai e filho seguem o projeto juntos
Reprodução/Instagram
Pai e filho seguem o projeto juntos

Mudanças no Rap

O líder do Planet Hemp atribui o crescimento do rap à facilidade de fazer música atualmente. “O rap é uma música eletrônica e nos anos 1990 a gente não tinha computador em casa”, lembrou. “Eu cheguei a colocar um cara na minha banda só porque ele tinha uma bateria eletrônica”, brincou. Entretanto, isso não significa que a música de hoje seja melhor. “Hoje em dia, todo mundo faz beat, mas isso não quer dizer que são beats bons”, ressaltou.

Junto com a forma de fazer música, a divulgação também mudou. “Nos anos 1990, você tinha que fazer show para ficar famoso. Tinha que ir pra rua, tinha que ser famoso na esquina”, recordou o rapper. “Hoje, você tem que ser famoso no YouTube, ter views, fãs nas redes sociais. O que é legal também”, comparou.

Para D2, todo esse crescimento do rap contribuiu para que o gênero tivesse uma difusão de temas. “Antes, só tinha rap de protesto, mas hoje existe rap de mina, de maconha, de balada, de vários outros temas”, explicou. Mas a essência da música segue a mesma. “É e sempre foi uma música de protesto, ainda tem um papel muito forte”, garantiu.

O músico defende que o rap tem mais importância na política do dia a dia do que na formal. “É importante na política aqui de baixo, no conviver das pessoas”, disse, comentando a crise política no Brasil. “Eu acho engraçado quando falam que a crise política começou agora. Desde que eu nasci só vejo merda na política do Brasil, a gente está em crise desde o primeiro político que existiu”, afirmou.

Depois de shows com o Planet Hemp e o projeto com o filho, Marcelo D2 deve voltar a focar em sua carreira solo em 2017. "Estou trabalhando uma nova obra que vai juntar música, cinema e artes plásticas. Ainda não sei como vai ser, mas em fevereiro já vai ter uma música nova", garantiu.

KTT ZOO Tour
Com Marcelo D2 e Sain
Quando: sexta-feira, 11 de novembro, às 23h
Onde: Audio (Av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca, São Paulo)
Quanto: a partir de R$ 50

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