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O evento acontece durante o mês de novembro no Sesc Pompeia e tem como intuito trazer reflexões sobre a sociedade brasileira de diversas formas

No dia 20 de novembro, o Brasil celebra o dia da Consciência Negra . Para celebrar a data, o Sesc Pompeia realizará entre os dias 8 e 27 de novembro um evento com performances, vivências, exibições, oficinas e encontros temáticos com militantes, intelectuais e artistas para levantar reflexões sobre o cenário social em que a população negra está inserida, com foco nas mulheres negras.

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Priscila Rezende apresenta “Bombril”, performance sobre as dificuldades de inserção estética das mulheres negras no Brasil
Reprodução
Priscila Rezende apresenta “Bombril”, performance sobre as dificuldades de inserção estética das mulheres negras no Brasil



O evento tem como intuito discutir o empoderamento de mulheres negras e indígenas, a sua representatividade e combate ao racismo. A curadoria do programa é do Sesc Pompéia em parceria com o projeto Empoderadas, uma websérie que tem como objetivo contar a história de mulheres negras em diversas áreas de atuação. Os curtas da segunda temporada da série serão, inclusive, exibidos durante o evento, a partir do dia 17 e encerrando-se no próprio dia da Consciência Negra.

Em entrevista ao iG , Larissa Meneses, responsável pela programação no Sesc Pompéia, falou sobre o projeto. Toda a programação, que será gratuita, está disponível no site do Sesc

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Confira a entrevista:

iG: Qual a importância de trazer um evento como este no mês da Consciência Negra?
Larissa Meneses: Acho que o “Gritem-me, Negra!” corrobora com uma série de discussões e outras muitas atividades sobre a importância do combate ao racismo que acontecem em novembro. No caso deste projeto, em especial, o foco está na criação artística e intelectual de meninas e mulheres negras e indígenas, e na valorização da troca de saberes entre elas. Essa troca é fundamental para compreensão mais ampla do contexto sócio histórico brasileiro e sua interface com diferentes experiências de opressão que estas mulheres vivem, como machismo e o racismo. Nesse sentido, fomentar as discussões sobre temas como feminismo e representatividade pode contribuir com o chamado “empoderamento”, e com o fortalecimento da necessidade de colocar a defesa dos direitos humanos e a igualdade de gênero em pauta.

iG: Como se deu a parceria com a Renata Martins do projeto Empoderadas para a curadoria?
Larissa Meneses: Há dois anos, eu comecei uma pesquisa sobre feminismo negro nas redes sociais online para curadoria de projetos sobre o tema. No ano passado, encontrei o Empoderadas. Assisti todos os episódios da primeira temporada da websérie, e achei que elaborar um Festival Empoderadas em paralelo com o projeto que estava desenvolvendo, seria muito bacana. Foi quando chamei a Renata pra conversar. Durante essas nossas conversas, apresentei a ela o outro pedaço da curadoria para o projeto, e acabou que ela contribuiu com alguns dos nomes e partilhamos ideias para a primeira edição do “Gritem-me, Negra!” em 2015. Como o projeto foi muito bacana, esse ano conversamos novamente sobre outras possibilidades de formatos e sobre temas e pessoas que gostaríamos de ver na programação. Assim, novamente, compartilhamos essa curadoria do projeto que idealizei e será realizado pelo SESC SP.

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iG: Quais foram os critérios utilizados para a seleção da programação?
Larissa Meneses: Levantei uma série de questões que eu gostaria que fossem centrais para os encontros desse ano, como: representatividade; a ideia de “tornar-se negra” e a relação desta ideia com a mestiçagem e a consciência racial no Brasil; e o próprio uso das mídias sociais para abordar esses temas. Então, pensamos em ações e nomes de intelectuais, artistas e ativistas que pudessem dialogar com essas questões levantadas nesse primeiro momento. O que não foi um critério, mas um elemento de reflexão.

iG: Como você enxerga a importância de fazer um recorte de gênero em um evento deste porte que vai ocupar o Sesc Pompeia durante o mês inteiro de novembro?
Larissa Meneses: Enxergo como necessário. Não tem como falar sobre consciência racial no Brasil sem falar sobre os papeis que grande parte das mulheres negras tem desempenhado na sociedade brasileira, e sem falar também de quais papéis elas podem e devem desempenhar na arte, na academia, e em todo e qualquer espaço. Existirão, sem dúvida, uma série de atividades em novembro, em outros centros culturais, ou mesmo no SESC, com temas muito mais amplos e igualmente importantes. Porém, o “Gritem-me, Negra!” no Sesc Pompeia tem cumprido o papel de abordar a diversidade e a relevância estética e política das mulheres negras.

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iG: Quais são as expectativas do Sesc Pompeia para o evento?
Larissa Meneses: Vamos deixar a meta aberta, mas as expectativas são positivas. A expectativa maior é de que, como no ano passado, o público encontre identidade com os temas que vamos abordar e que desenvolva novos interesses com temas que as vezes nem nós prevíamos que apareceriam nos encontros.

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