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Banda carioca Mama Feet lançou o álbum "Brazilian Democracy", recheado de irreverência: "Foi natural nascer algo irreverente"

O disco "Chinese Democracy", do Guns N' Roses, demorou 10 anos para ser lançado, em 2008. Mas o que pouca gente sabe é que um disco brasileiro inspirou o da banda americana. Pelo menos é o que conta o Mama Feet , irreverente banda carioca que lançou o álbum "Brazilian Democracy" em setembro.

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A banda Mama Feet lançou em setembro o álbum
Divulgação
A banda Mama Feet lançou em setembro o álbum "Brazilian Democracy"

"Certamente o Axl Rose do futuro, depois de conhecer o sucesso de 'Brazilian Democracy', voltou no tempo e convenceu a si mesmo de batizar um disco do Guns com uma democracia do BRICS", brinca o comunicado de lançamento do disco do Mama Feet , divulgado à imprensa, sobre a relação do álbum brasileiro com o do grupo de Axl e Slash.

A irreverência está na essência da banda, formada pelos irmãos Fey e Mylo Samp, Tynho Campo Grande e Tommy Lee Dick. "Esse disco foi feito durante longas madrugadas de interação banda/cerveja/energético, portanto, foi natural nascer algo irreverente, o que acaba refletindo a nossa amizade", explicou o grupo em entrevista ao iG .

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O grupo não se preocupa em ser prejudicado pela imagem irreverente. "O disco pode render milhões ou zero, nosso amor por ele e pelo caminho que levou à sua concepção estará sempre em nossos corações cor de rosa", explicam.

Leia abaixo a entrevista com o Mama Feet:

iG: Como foi a produção do disco? Quanto demorou entre a ideia de gravar um álbum e o lançamento dele?
Mama Feet : Foi um processo prazeroso cujo objetivo era o caminho, não o resultado final. Nos divertimos muito inventando histórias e personagens loucos para o disco. Vixe, "quanto demorou" é tenso... Diria que a ideia "fazer o mesmo disco em duas línguas" nasceu em 2010... alguns riffs de músicas (que acabaram sendo aproveitados no disco) nasceram nessa mesma época, mas o processo começou mesmo em 2013, quando montamos nosso estúdio. Todas as etapas aconteceram entre 2013-2016.

iG: De onde vem toda a irreverência da música de vocês?
MF : Da nossa vontade de tocar apenas por diversão. Claro que temos letras mais sérias, músicas mais tensas. Esse disco foi feito durante longas madrugadas de interação banda/cerveja/energético, portanto, foi natural nascer algo irreverente, o que acaba refletindo a nossa amizade.

iG: Vocês acham que falta irreverência na música? Os artistas se levam muito a sério?
MF : Não falta nada, tem de tudo. Achamos que "pra todo sapo tem uma sapa, ou outro sapo". As pessoas têm que fazer uma arte verdadeira. E essa verdade pode mudar de uma época pra outra. Hoje lançamos algo mais ligado ao humor, mas também gravamos músicas "sérias" no disco. Pode ser que no próximo, a balança vire pro outro lado e falemos de amor, de política... Enfim, a verdade vigente na próxima fase Mama guiará quais histórias e personagens que existirão.

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iG: Por outro lado, vocês acham que essa irreverência pode fazer com que vocês não sejam levados a sério? Vocês temem isso?
MF : Não. Finalmente entendemos o que nossos ídolos diziam: "faça do coração, se divirta, não pense no que vão achar... sua maior realização será concluir aquilo que se comprometeu a fazer com amor". Foi um grande aprendizado botar isso em prática. O disco pode render milhões ou zero, nosso amor por ele e pelo caminho que levou à sua concepção estará sempre em nossos corações cor de rosa.

iG: O disco e os materiais de divulgação são recheados de referências pop gringas. O que vocês acham do pop brasileiro?
MF:  O pop brasileiro vive um momento de crescimento interessante e que deverá nos influenciar mais nos próximos anos. Cada vez mais vemos shows super produzidos visualmente com projeções, dançarinos... mas os estilos, normalmente, são o sertanejo e o funk. Curioso não vermos muitas bandas de Rock usar essa "cara pop", e é o que estamos fazendo. Não por mercado, mas porque deixa o trabalho mais completo e a experiência envolvente. Roger Waters é uma grande inspiração e exemplo de como o Rock pode fazer isso (mesmo sem recursos, lá nos anos 60/70). O show "The Wall" que vimos aqui no RJ não foi apenas uma experiência sonora, mas também visual.

iG: Quais são os planos do grupo para o próximo ano?
Mama Feet: Sair do cheque especial (risos). A nossa principal meta é conseguir levar a experiência audiovisual do disco para os palcos. Não queremos ser aquela banda que faz um trabalho sensacional apenas na internet, queremos que as pessoas tenham a mesma sensação ao vivo. Queremos, nós, ter essa a mesma sensação ao vivo.

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