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Em entrevista ao iG, Sheila Nevins fala sobre documentários da HBO e reconhece o papel das produções na grade da emissora: "Não é o principal"

A HBO aproveitou os últimos meses do ano para lançar mais uma temporada de seus documentários. Toda segunda-feira, o canal por assinatura estreia filmes que contam histórias reais sobre temas delicados, como terrorismo e epidemias devastadoras, e outros mais leves, mas igualmente fortes, como as relações familiares.

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O documentário
Divulgação
O documentário "Classe Dividida" será exibido pela HBO Brasil nesta segunda-feira (31), às 22h

Para Sheila Nevins , chefe da divisão de documentários da HBO , essas produções sobre histórias que acontecem de verdade pegam mais o telespectador do que os filmes ficcionais. "Nada supera a história de uma pessoa real", disse a executiva em entrevista por telefone ao iG . Ela acredita que as tramas reais conversam melhor com o público. "Eu choro por pessoas reais, por histórias que acontecem de verdade, e acho que as pessoas fazem o mesmo", continuou.

Histórias em todos os lugares

Esse é um dos motivos pelos quais os documentários têm se tornado cada vez mais populares. Além do canal por assinatura, plataformas como a Netflix têm ajudado a difundir as produções sobre histórias reais. "Making a Murderer", por exemplo, foi um dos grandes sucessos da cultura pop nos últimos meses. "A sobrevivência está cada vez mais difícil para as pessoas comuns, e elas se identificam com as histórias", comentou Nevins. "As histórias reais mostram que está todo mundo junto, todo mundo enfrenta o mesmo problema. Se um mosquito está causando problemas no México, ele eventualmente vai causar problemas nos Estados Unidos", exemplificou.

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Outro bom motivo para a popularização dos documentários é a maior facilidade promovida pela tecnologia. "Todo mundo é capaz de produzir um filme com sua própria câmera, não precisa de uma emissora", disse a executiva. Parte de seu trabalho é encontrar essas produções. "A câmera de alguém vai ter a história que a gente quer contar, então temos de encontrá-la", disse.

Sem medo dos ricos

Uma das histórias contadas nesta temporada envolve dois personagens bem conhecidos dos americanos: Gloria Vanderbilt e Anderson Cooper. A artista é parte de uma das famílias mais ricas da história dos Estados Unidos, enquanto o jornalista é âncora da rede de notícias CNN e conhecido nacionalmente. No documentário, eles contam histórias do passado e se reconectam como mãe e filho.

Para Sheila Nevins, esta foi uma das produções mais arriscadas da emissora. "Eu tinha medo de gente famosa, achava que eles eram diferentes", admitiu a executiva. Mas o documentário fez com que ela mudasse de ideia. "Eu não me intimido mais com o sucesso de ninguém, eu sei que eles são como eu", disse. "Talvez os sapatos deles sejam mais caros que os meus", brincou.

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Apesar de defender o apelo que os documentários causam na audiência, Sheila Nevins reconhece que eles não são o prato principal no cardápio da emissora. "As pessoas assistem [aos documentários] enquanto estão vendo 'Game of Thrones' ou 'Westworld', disse. "Não é o grande negócio, não é o motivo pelo qual as pessoas assinam o canal. Eu já aceitei isso", garantiu.

Nesta segunda-feira (31), a HBO Brasil exibe às 22h o documentário "Divisão de Classes", sobre os efeitos da divisão das classes sociais na região de West Chelsea, em Nova York.

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