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Para o lançamento do vinil de seu último disco "A Mulher do Fim do Mundo", Elza Soares faz terceira apresentação no SescPinheiros neste sábado (29)

O primeiro show de lançamento do vinil de A Mulher do Fim do Mundo na última quinta feira (27) mostrou o que já se era esperado: uma Elza Soares viril e forte. Aos 79 anos, a cantora carioca é dona de uma voz única que ecoa em diversas gerações e acompanha a evolução dos ritmos, tornando-se mais contemporânea do que nunca. Realizado no Teatro Paulo Autran do Sesc Pinheiros ,  em São Paulo, Elza não se levantou de sua cadeira majestosa durante a apresentação, mas isso não a impediu de mexer o corpo e fazer com que o público se levantasse  de seus assentos para acompanhar o samba da cantora.

Elza Soares canta e encanta nos shows sentada no seu majestoso trono metálico
Divulgação/Marcos Hermes
Elza Soares canta e encanta nos shows sentada no seu majestoso trono metálico


Com Coração do Mar , música que abre o disco, o teatro foi preenchido pela voz de Elza Soares a cappella, o que fez com que todos ali aplaudissem a cantora em pé, logo na primeira música do show. Seguido por A Mulher do Fim do Mundo , Elza teve o acompanhamento de músicos do grupo paulista Bixiga 70 entoando os instrumentos metálicos da canção. No palco, a carioca também contou com a presença de Guilherme Kastrup na bateria, Marcelo Cabral no baixo, Rodrigo Campos e Kiko Dinucci na guitarra e, por fim, de DaLua na percussão.

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Na quarta música do show, em A Carne Negra , enquanto Elza afirmava que "a carne mais barata do mercado é a carne negra", jovens artistas entravam no palco para uma intervenção teatral marcante. A música de “Do Cóccix Até O Pescoço” ainda se mantem atual mais de dez anos depois do seu lançamento, uma vez que, segundos dados da CPI do Senado sobre o Assassinato de Jovens deste ano, um jovem negro morre a cada 23 minutos no país. “Eu sou negra, eu sou negra, eu sou negra!”, afirmava a cantora.

Entre os pedidos de “quero ouvir gritos!” e os coros do público, Elza Soares fez uma pausa: “Agora vamos falar sobre um assunto sério”. E então os primeiros acordes de Maria da Vila Matilde começaram, levando a plateia a aplaudir antes mesmo de Elza soltar sua voz. Durante o refrão, a cantora pediu para que as mulheres a acompanhassem e o trecho “cê vai se arrepender de levantar a mão para mim” ecoou pelo teatro mais de uma vez. “180 minha gente, se liguem nesse número, 180”, alertou a carioca após interpretar a música.

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A participação especial do cantor Liniker veio em Benedita . De vestido preto e cabelo, o cantor invadiu o show com a sua voz marcante do soul e a sua forte presença de palco. Depois da interpretação a cantora convidou Liniker para deitar sob seu colo enquanto entoava uma de suas antigas, Malandro . O samba melancólico foi acompanhado por todos com muita emoção e o público cantou o “laia laia” junto com Elza Soares.

A banda e todos os artistas que participaram da apresentação subiram ao palco e fizeram uma roda ao redor de Elza enquanto as luzes desciam e ela cantava os versos de Comigo , a última música do show que faz referência à mãe da cantora. Quando as cortinas se fecharam, a plateia aplaudiu de pé pedindo mais uma, que foi respondido pela cantora com “vocês querem mais?” e, logo em seguida, Volta por cima agitou o teatro lotado e levou o público aos pés do palco para um desfecho animado e vivo, como só Elza Soares é capaz de proporcionar.

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Turnê:

Elza Soares se apresentou quinta e sexta (27 e 28) e faz a terceira neste sábado (29), com a participação especial de Rubi, no SESC Pinheiros (Rua Paes Leme, 195), às 21h. Os ingressos custam de R$ 18 a R$ 60.