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Novo filme da Marvel é comandado brilhantemente por Benedict Cumberbatch e efeitos em 3D, mas peca em excesso de piadas

Com muita psicodelia e efeitos especiais, " Doutor Estranho " chega aos cinemas brasileiros nesta quarta-feira (2) tirando um peso dos ombros: o que poderia ser um dos grandes erros da nova fase cinematográfica da Marvel, acabou se tornando um dos maiores acertos do estúdio.

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Divulgação
Com efeitos visuais impressionantes, "Doutor Estranho" é um dos melhores filmes feitos pela Marvel

Seguindo a linha de "Homem-Formiga", de 2015, o Doutor Estranho está longe de ser o herói mais conhecido da Marvel – o que fez muita gente torcer o nariz para a produção do longa. Mas quem se aventurar a conhecer a história do cirurgião que virou um mago, não se arrependerá.

Em uma das melhores interpretações de Benedict Cumberbatch nas telonas, o Doutor Stephen Strange é uma espécie de Tony Stark da medicina: arrogante, rico e brilhante. Mas sua vida muda completamente quando ele sofre um acidente de carro e tem o movimento das mãos comprometido. Depois de procurar por todo tipo de ajuda, o médico acaba em um templo no Nepal, onde uma Anciã (Tilda Swinton) promete ajudá-lo através do poder espiritual.

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Assim como Strange tem de se abrir ao plano espiritual, a Marvel usa o novo filme para abrir-se a um universo ainda inexplorado. Como os próprios magos dizem, enquanto os Vingadores defendem a Terra das ameaças físicas, eles defendem o planeta das ameaças interdimensionais – algo que nunca foi explorado em outros filmes da produtora.

Visuais incríveis e piadas forçadas

Ao contrário de muitos filmes de super-heróis e outros que foram lançados desde "Avatar", "Doutor Estranho" é um longa que precisa ser assistido em 3D. Os efeitos visuais do filme são um de seus pontos altos, principalmente nas viagens psicodélicas do mago, junto com as boas atuações de Cumberbatch, Rachel McAddams, Chiwetel Ejiofor e Tilda Swinton.

Por outro lado, o característico alívio cômico dos filmes da Marvel está mais presente do que nunca. Em algumas cenas, as piadas parecem forçadas e colocadas em lugares onde não deveriam estar. Na grande sequência de luta entre Strange e o vilão Kaecilius (Mads Mikkelsen), por exemplo, a tensão é quebrada algumas vezes por comentários engraçadinhos do mago ou pela peraltice da Capa da Levitação. O alívio cômico acaba fazendo com que algumas interações tenham ares de comédia pastelão – mas nada disso é o suficiente para estragar o filme.

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Apesar de ser um filme que pode ser entendido por quem nunca viu nada da Marvel, o novo título é o ponto de partida para algo muito maior que o estúdio está planejando. As cenas pós-créditos garantem que o personagem voltará às telonas e ainda mostram o mago conversando com Thor sobre a ameaça de Loki, o que sugere que ele pode aparecer em "Ragnarok", o próximo longa da franquia do deus nórdico.

Marcando uma ótima estreia de Benedict Cumberbatch no universo Marvel, "Doutor Estranho" é um filme impressionante visualmente, com uma história que vai atrair ainda mais fãs para o mundo dos super-heróis. Não é exagero dizer que este é um dos grandes feitos pelo estúdio – mas quem não gosta das típicas piadinhas da Marvel, pode preparar-se mentalmente para sofrer um pouco mais no cinema.