Tamanho do texto

Figuras emblemáticas da cultura nacional, os cantores são conhecidos por suas posições políticas fortes e engajadas, sobretudo em redes sociais

Os cantores e compositores Tom Zé e Lobão compartilham de uma peculiaridade. Nascidos no dia 11 de outubro, eles dividem o aniversário, mas divergem em praticamente todo o resto - e não fazem questão de esconder. O primeiro completa 80 anos, enquanto o segundo, 59. Ambos têm uma extensa trajetória no campo musical, porém se distinguem pelos posicionamentos na mídia.

Leia Mais:  Camila Pitanga dirige documentário sobre o pai e o apresenta no Festival do Rio

Tom Zé é um dos nomes mais icônicos da música e da produção cultural do país.
Divulgação
Tom Zé é um dos nomes mais icônicos da música e da produção cultural do país.

A carreira de Tom Zé iniciou-se nos anos 1960 em um momento de grande efervescência cultural e política do país. O cantor foi um dos responsáveis pela criação do movimento Tropicalista, tendo participado do álbum “ Tropicália ou Panis et Circensis”, de 1968, embora não seja lembrado por sua contribuição. Seu maior êxito veio de suas composições solo, com músicas engajadas e que procuram dialogar amplamente com o contexto pelo qual a sociedade está passando.

Leia Mais:  Espetáculo une dança e poesia para discutir a cultura do machismo

Lobão nasceu em 1957 no Rio de Janeiro e, desde o início de sua carreira, esteve envolvido em diversas polêmicas. Foi um dos fundadores da banda Blitz, que fez um grande sucesso nos anos 1980, mas separou-se dos demais integrantes para seguir carreira solo . Uma de suas músicas mais famosas, “Me Chama”, ganhou versões interpretadas por diversos artistas e até hoje é muito reproduzida.

Uma das semelhanças entre eles é de que ambos estão constantemente expressando suas visões políticas ao público e se envolvendo em debates sobre o tema. Com o crescimento das redes sociais nos últimos anos, a opinião dos dois passou a ganhar cada vez mais destaque e visibilidade.

À direita, Lobão

Os cantores Lobão e Tom Zé dividem o aniversário, mas não a visão sobre política
Divulgação
Os cantores Lobão e Tom Zé dividem o aniversário, mas não a visão sobre política

Lobão assume claramente um posicionamento conservador de direita – embora tenha se mostrado favorável à eleição de Lula para o cargo de presidente – ele já chegou até a ser mencionado pelo vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, como um dos maiores influenciadores de direita na mídia. Suas redes sociais, sobretudo seu twitter, estão repletas de textos e críticas a partidos políticos, denúncias e esquemas de corrupção e, acima de tudo, provocações dos mais diversos tipos.

O cantor sempre foi conhecido por se envolver em polêmicas e suas redes sociais só potencializaram o comportamento, dando margem à declarações de todos os tipos. Em maio deste ano, Lobão fez uma série de tweets que chocaram os internautas ao falar sobre um caso grave de estupro. Em algumas postagens ele declarou: “Não é de surpreender esses lamentáveis casos de estupro, em um país que se fabrica mini-putas, com uma farta erotização precoce e com a severa infantilização da população reduzindo suas responsabilidades”. O cantor foi acusado de culpabilizar as vítimas de agressão sexual e seu nome chegou a figurar entre os tópicos mais comentados da rede social. Atualmente, o músico vem expressando, além de seu descontentamento com diversos pontos da política nacional, seu apoio ao candidato republicano na corrida presidencial dos Estados Unidos, Donald Trump.

À esquerda, Tom Zé

Desde o princípio de sua carreira artística, Tom Zé esteve envolvimento com os setores de oposição à situação do governo. Além de compor trabalhos que apresentam reflexões sobre a cultura e a sociedade brasileira. Sua presença em redes sociais é menos intensa que a de Lobão, porém é igualmente forte. Recentemente, o cantor lançou uma carta aberta aos ministros do STF, criticando sua atuação e convocando as pessoas para assinarem a petição, para legitimar a partir da população sua visão sobre o momento.

Tom Zé acredita que o palco do Palácio das Artes vai permitir uma apresentação mais teatral
Andre Conti/Divulgação
Tom Zé acredita que o palco do Palácio das Artes vai permitir uma apresentação mais teatral

 Em 2013, quando eclodiram manifestações nas ruas de diversas cidades do país, Tom Zé declarou seu apoio ao movimento e chegou, até mesmo, a escrever músicas em solidariedade ao tema, como contou em entrevista ao Último Segundo . Este ano o cantor deu declarações à um jornal português mostrando ser contra o impeachment da então presidente Dilma Roussef, falando que a medida seria um “golpe” e que o Brasil estava “cheio de fascistas”.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.