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Série marca nova colaboração entre a atriz e a HBO. Thomas Haden Church e Molly Shannon também estrelam "Divorce", que estreia neste domingo (9)

 A HBO continua apostando nas comédias de meia-hora de duração e tem colhido bons frutos com essa estratégia como atestam os sucessos de crítica e público de “Veep”, “Silicon Valley” e “Girls”. “Divorce”, novidade que estreia na madrugada  deste domingo (9) para segunda-feira (10) às 0h, tem o bônus de promover o reencontro entre Sarah Jessica Parker e o canal, cuja parceria imortalizou-se com a atemporal e icônica “Sex and the City” (1998- 2004).

Sarah Jessica Parker retorna à HBO na série
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Sarah Jessica Parker retorna à HBO na série "Divorce"

Criada por Sharon Horgan (“Catastrophe”) e Paul Simms (“Girls”), “Divorce” apresenta uma Nova York diferente daquela que abrigava as desventuras, crises e amores de Carrie Bradshaw e suas amigas. Sai de cena a cosmopolita big apple e surge o suburbano condado de Westchester. Parker é Frances, uma quarentona que após testemunhar uma inesperada e virulenta briga entre o casal de amigos Diana (Molly Shannon) e Nick (Tracy Letts), tem um estalo e resolve que quer se divorciar do marido, Robert (Thomas Haden Church).

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A primeira parte do piloto alimenta-se daquele humor incômodo em que se ri de nervoso, mas é um humor essencialmente humano e articulado com inteligência e desprendimento. À medida que avança, o peso dramático que se colocou sobre o casal vai ganhando relevo e contornos. Robert não fazia ideia do descontentamento de Frances. “As vezes eu realmente estou feliz e quando chego em casa e quando percebo que você está lá meu coração afunda”, diz ela ao atônito marido ainda na rebarba da festa de aniversário de Diana. “Eu quero salvar minha vida enquanto ainda me preocupo com ela”.

Thomas Haden Church brilha como o marido desencantando da personagem de Sarah Jessica Parker em
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Thomas Haden Church brilha como o marido desencantando da personagem de Sarah Jessica Parker em "Divorce"

Os diálogos são dos mais inteligentes a surgir na televisão, no contexto de uma série sobre relacionamentos, desde “Togetherness”, outra produção tenra e agridoce sobre a natureza dos relacionamentos interpessoais bancada pela HBO. Os personagens não são do tipo que geram empatia logo de cara, o que favorece a série tanto quanto estremece suas chances de vida longa – a primeira temporada tem 10 episódios. Os ruídos de um divórcio – os efeitos no seio familiar e no círculo social – constituem a matéria prima do programa e é natural que os tons de cinza das personalidades daqueles imersos nesse processo aflorem. O que afere legitimidade ao show, no entanto, é justamente o que pode afastar o espectador ocasional que não necessariamente está interessado em torcer por Robert ou Frances que vão expor toda as suas falhas domingo após domingo.

O fato de contar com atores talentosos como Parker e Church ajuda muito à consolidação da série. Se Church continua um especialista no retrato do homem comum, pacato e sem consciência da extensão de suas falhas, Parker injeta incrível e perene humanidade em sua personagem. É um trabalho que lhe oferecerá a oportunidade de exercitar suas musculaturas dramáticas como nenhum outro lhe proporcionou na carreira até então.

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O que afasta o primeiro episódio de “Divorce” da perfeição é uma virada desnecessária. A imposição de uma traição como muleta para o processo de separação que testemunharemos daqui para frente. É um recurso válido e verossímil, mas também um subterfúgio. Seria um desafio maior dimensionar as angústias desses personagens partindo apenas da asfixia da rotina, da convivência de oito anos que esbarrou na morosidade. Ao servir-se de um affair, a série mexe com paixões – do público e dos personagens – que podem embaralhar percepções e desviar o foco do que realmente está em questão na promissora série da HBO.

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