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Primeiro disco da cantora natural de Sergipe é elixir para os sentidos e reforça bom momento da música nordestina na cena cultural brasileira

Sabe aquele disco que flui como riacho doce em dia quente? Assim é “Eu” , primeiro disco da sergipana Héloa. O álbum, que sucede o lançamento do EP “Solta” , de 2013, exala brasilidade e sensualidade. Produzido por Daniel Groove e João Vasconcelos, o disco reflete o choque entre o passado nordestino e a realidade cosmopolita da capital paulista, onde a cantora mora atualmente e gravou “Eu”.

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A cantora Héloa
Divulgação
A cantora Héloa

 Há apenas uma canção de autoria de Héloa no álbum. E “A Avenida” captura todo esse estranhamento característico de quem está se estabelecendo em uma nova cidade. “A avenida e esses carros que transitam entre sinais/ A minha vida e um coração em busca de um cais”. A intérprete prestigia grandes compositores nordestinos como Otto , Alceu Valença e Saulo Duarte.

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A voz quente e aveludada da sergipana dá rima com o baixo de João Vasconcelos, que ocasionalmente também assume os teclados. Da balada ao brega romântico, passando pelo blues e pelo pop, “Eu” é uma afirmação sensorial cativante para quem gosta de música que desliza pelos ouvidos. É, ainda, uma busca pela própria identidade artística e o prazer de comungar deste momento com a cantora torna a experiência de se ouvir “Eu” muito mais intensa e agradável.

“Deixa tudo de triste pra lá/Não deixa esse transe de felicidade passar”, entoa a sergipana em “A Paz que Desejei”, uma música que ressalta a vivacidade de seu jeito nordestino. Uma canção que ganha força na interpretação ajambrada pela cantora.

O grande momento de “Eu”, no entanto é quando Héloa apresenta sua releitura de “Crua”, de Otto. Seu sotaque ganha cor e os sons invadem sua voz. A música fala de uma lembrança que dói, mas que também é boa e a sergipana com voz sexy sacramenta “E ter que acreditar num caso sério e na melancolia que dizia/Mas naquela noite que eu chupei você, fodia, fodia/Mas naquela noite que eu chupei você, fodia de noite e de dia”.

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Héloa é o tipo de voz que hipnotiza. Que não se encontra todo dia e “Eu” é o tipo de disco que a gente se descobre ouvindo de novo sem nem mesmo se dar conta.

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