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Guitarrista do Ira!, que apresenta projeto com Silvia Tape em São Paulo nesta sexta-feira (7), falou ao iG sobre nova cena musical e a mudança no rock

Um dos fundadores do Ira!, Edgard Scandurra tem sua história intrinsecamente ligada à cultura em São Paulo. Para celebrar isso, o músico faz um show especial na cidade nesta sexta-feira (7) e apresenta "EST", seu mais recente álbum com Silvia Tape, no MIS, o Museu da Imagem e do Som da capital paulista.

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Edgard Scandurra se apresenta no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, nesta sexta-feira (7)
Divulgação
Edgard Scandurra se apresenta no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, nesta sexta-feira (7)

"É uma ideia muito legal, um show ao ar livre. É legal tocar em São Paulo, eu e a Silvia fizemos poucos shows na cidade", contou Edgard Scandurra ao iG em entrevista por telefone. O show também marcará o lançamento de "EST" em vinil.

Além das músicas do disco, a apresentação terá algumas surpresas, como uma faixa inédita produzida pela dupla e um cover de uma música do diretor David Lynch. Para Scandurra, essa é uma oportunidade única para celebrar a cidade. "A gente está muito animado em tocar em um show com entrada franca, para pessoas que às vezes não têm condições de pagar um ingresso", explicou o guitarrista.

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Novidades e saudosismo

Vivendo e fomentando a cena musical de São Paulo há mais de três décadas, o músico vê com bons olhos o atual momento cultural da metrópole. "As pessoas estão descobrindo novos lugares para tocar e isso é ótimo, não podemos ficar restritos aos Sescs e às grandes casas de shows", disse.

Outra coisa que o anima é a força que os artistas têm tomado juntos. "Hoje existe uma unidade em torno dos princípios políticos entre os artistas. Um espírito mais combativo, mais de esquerda, é uma unidade legal de artistas de diferentes estilos", disse.

Entretanto, isso não substitui algo do que Scandurra sente falta: o rock combativo. "Eu sinto falta do rock", confessou o músico. Para ele, o estilo fez uma mistura saudável com outros ritmos, mas acabou perdendo sua essência.

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Outra mudança foi no teor das músicas: o protesto acabou ficando de lado e sendo abraçado por outros gêneros. "Sinto falta de uma guitarra bem distorcida, um grito de um vocalista nervoso, principalmente do punk, que vem da periferia, energia do operariado através da guitarra", disse. "O rap tomou conta, abraçou essa faceta de protesto. Eu adoro, admiro, respeito, mas sinto falta da guitarra, baixo, bateria, vocal e um refrão contundente", confessou. "Ainda é um formato importante de expressão."

ESTÉREO MIS - SAMSUNG CONECTA Edgard Scandurra e Silvia Tape
Data: Sexta (07.10)
Horário: 20h
Local: Área externa (800 lugares)
Entrada: Gratuita (sujeito a lotação do espaço).

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