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Com a música correndo nas veias, gêmeas franco-cubanas desembarcam no Brasil para mostrar música permeada por influências africanas e europeias

A dupla franco-cubana Ibeyi é composta só pelas irmãs gêmeas Lisa-Kaindé e Naomi Díaz, mas não é exagero algum dizer que o conhecimento musical delas vale pelo de uma banda integrada por diversas pessoas dos mais diferentes lugares do planeta.

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A dupla franco-cubana Ibeyi faz dois shows no Brasil, em São Paulo e no Rio, em outubro
Divulgação
A dupla franco-cubana Ibeyi faz dois shows no Brasil, em São Paulo e no Rio, em outubro

Filhas do grande percussionista cubano Anga Díaz, do Buena Vista Social Club, as artistas lançaram no ano passado o disco " Ibeyi ", recheado de referências à cultura africana e mistura de músicas de todos os cantos do mundo. Na gravação, elas celebram a herança afro-cubana ao cantar versos em iorubá, língua falada principalmente por povos da África ocidental. O nome da banda, aliás, é na língua africana e significa "gêmeas" em português.

Apesar do pai famoso, não foi ele quem mais ajudou as irmãs em sua carreira. "Ele não esperava que nos tornassemos cantoras, ele nunca sentou para nos ensinar a tocar instrumentos, esse era o papel da nossa mãe", contou a dupla em entrevista ao iG sobre a também cantora franco-venezuelana Maya Dagnino, que hoje é a empresária delas.

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Brasil e Beyoncé

Neste mês, Lisa e Naomi trazem o show de seu disco de estreia ao Brasil. Elas confessam que a nossa música não faz parte de sua grande gama de influências, mas mostram que sabem muito bem o que os artistas fazem por aqui. "Em casa, nossa mãe ouvia muito Elis Regina, Seu Jorge, as músicas antigas de Lenine, Caetano Veloso e o pessoal da Bossa Nova", lembraram.

Na entrevista abaixo, Lisa e Naomi falam sobre as expectativas para os shows no Brasil, as lembranças dos pais e o trabalho com Beyoncé no disco "Lemonade": "Foi completamente inesperado e uma grande honra". 

Lisa-Kaindé e Naomi Díaz são filhas do percussionista cubano Anga Díaz e da cantora franco-venezuelana Maya Dagnino
Divulgação
Lisa-Kaindé e Naomi Díaz são filhas do percussionista cubano Anga Díaz e da cantora franco-venezuelana Maya Dagnino

iG: O que vocês estão esperando dos shows no Brasil?
Ibeyi: É a nossa primeira vez no Brasil, então estamos muito animadas. Recebemos muitas mensagens legais de fãs de música brasileiros nas redes sociais, então esperamos que nossos shows no Rio de Janeiro e em São Paulo sejam boas oportunidades para compartilhar música com nosso público brasileiro.

iG: Qual foi a importância do pai de vocês em sua formação musical?
Ibeyi: Nosso pai foi e ainda é muito importante em nossas vidas, mas não particularmente na nossa formação musical. Ele não esperava que nos tornassemos cantoras, ele nunca sentou para nos ensinar a tocar instrumentos, esse era o papel da nossa mãe. Mas nosso pai nos deu o amor pela música, assim como nossa mãe. Eles nos levavam para shows de música desde os nossos 2 anos de idade. Nós também assistíamos aos shows dele e isso com certeza nos influenciou. Música, para a nossa família, sempre significou compartilhamento de momentos de alegria.

iG: Por que vocês decidiram cantar em iorubá? O que esse idioma representa para vocês?
Ibeyi: Cantar em iorubá é uma forma de celebrar nossa herança afro-cubana e nosso pai. Nós também queríamos que as pessoas descobrissem os cantos da santeria que amamos tanto e colocamos em nossas músicas. Santeria e candomblé são filhos da Mãe África, sentimos que eles têm uma conexão especial conosco.

iG: Como vocês juntam todas suas influências musicais de todo o mundo em suas músicas?
Ibeyi: Como crescemos entre a França e Cuba, somos realmente uma mistura da cultura afro-cubana e da europeia. Mais do que isso, a geração do YouTube tem informação musical de todo o mundo. Nós crescemos ouvindo todos os tipos de música: jazz, hip-hop, música iorubá, pop, funk, salsa e música clássica. Tudo isso na casa da nossa mãe. Isso é o que somos, uma mistura.

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iG: A música brasileira é uma de suas influências?
Ibeyi: A música brasileira não nos influenciou porque infelizmente nós não ouvimos muita música brasileira. Mas todo mundo sabe que ela é bem diversa e rica. Em casa, nossa mãe ouvia muito Elis Regina, Seu Jorge, as músicas antigas de Lenine, Caetano Veloso e o pessoal da Bossa Nova.

iG: Vocês chamaram muita atenção no disco visual da Beyoncé. Como foi trabalhar com ela?
Ibeyi: Foi completamente inesperado e uma grande honra. Ela nos encantou quando começou a cantar a capella tarde da noite, depois de um dia cheio de gravações e danças. Ela trabalha sem parar e nós só conseguimos admirar seu talento e força.

A dupla Ibeyi faz dois shows no Brasil em outubro. O primeiro acontece em São Paulo no dia 13 de outubro, no Audio Club, com a cantora Julia Holter, e o segundo no Rio de Janeiro no dia 15 de outubro, no Circo Voador, com o paraense Jaloo.