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Maior mérito de "O Bebê de Bridget Jones" é recuperar a nostalgia pelo primeiro filme. Até mesmo os dilemas da heroína são parecidos

Havia muita expectativa pelo retorno de Bridget Jones aos cinemas e “O Bebê de Bridget Jones”, terceiro filme da série, não decepciona. O roteiro só foi aprovado por Renee Zellweger depois que a autora dos livros Helen Fielding embarcou no projeto e deu um polimento no texto. O longo hiato entre o segundo filme, “Bridget Jones: No Limite da Razão” (2004) e o terceiro se deve basicamente a duas razões: à hesitação de Zellweger em retomar a personagem  e à necessidade de fundamentar-se nos livros. 

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Bridget Jones está às voltas com a solteirice novamente  em
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Bridget Jones está às voltas com a solteirice novamente em "O Bebê de Bridget Jones"

De todo modo, “O Bebê de Bridget Jones” é bem diferente do terceiro volume literário, “Bridget Jones: Louca Pelo Garoto”, lançado em 2013 e que tem uma virada e tanto na vida de nossa heroína: a morte de Mark Darcy, interpretado nos cinemas por Colin Firth . Há algumas coisas do livro que são aproveitadas no filme, mas a morte de Mark Darcy não está entre elas.

Dirigido por Sharon Maguire , a mesma responsável pelo primeiro filme, a produção recupera o charme maroto e o sarcasmo ligeiramente inofensivo de Bridget – interpretada com graciosidade e preciosismo pela americana Zellweger.

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O legítimo humor inglês abre espaço para certa correção política. Como Bridget é uma das personagens mais politicamente incorretas da cultura pop, esse choque gera um fluxo narrativo interessante. Não obstante, as prioridades da personagem estão em evolução, já que a flagramos nos idos dos 40 anos e novamente solteirona. Depois de se separar de Darcy, ela se entregou de corpo e alma ao trabalho. Instigada por uma amiga, ela vai a um festival de música e acaba dormindo com o bonitão vivido por Patrick Dempsey . Na mesma semana, ela tem um revival com Darcy, se descobre grávida e sem saber quem é o pai da criança.

Bridget e os potenciais pais de seu bebê em uma das aulas sobre maternidade
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Bridget e os potenciais pais de seu bebê em uma das aulas sobre maternidade

Apesar do plot aparentemente focado na angústia de saber quem, afinal, é o pai do bebê de Bridget, o filme é muito hábil em dimensionar os dilemas de uma mulher de 40 anos. Um mérito que pode ser atribuído ao carinho de todos os envolvidos na realização da fita com a personagem e com o que ela representa.

Com muita música, o que pode ser percebido como defeito por alguns, mas que calça o número do tipo de filme que “O Bebê de Bridget Jones” pretende ser, a produção cativa do início ao fim e deixa os fãs com nostalgia pelo primeiro filme.

É este, justamente, o grande feito de “O Bebê de Bridget Jones”. De superar a má impressão deixada pelo segundo filme e reconciliar personagem e público com dilemas e conflitos espirituosos resolvidos com perspicácia e verossimilhança. Mas tudo de um jeito bem Bridget Jones.