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Cineasta comanda o filme que pode ser o ponto de partida para uma nova franquia infanto-juvenil. Há similaridades ao universo X e a Harry Potter

O cinema de Tim Burton , ao lado de figuras como Pedro Almodóvar, Steven Spielberg e, sim, Michael Bay, é um dos mais reconhecíveis do cinema contemporâneo. Burton, que recentemente foi homenageado com uma exposição sobre sua obra no MIS ,  está com filme novo na praça. “O Lar das Crianças Peculiares”, que estreia nesta quinta-feira (29)  nos cinemas brasileiros, é uma adaptação da série de livros do americano Ransom Riggs.

Cena do filme
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Cena do filme "O Lar das Crianças Peculiares", que estreia nesta quinta-feira (29) nos cinemas brasileiros

Trata-se de um prato cheio para quem aprecia as esquisitices do cineasta. Mas “O Lar das Crianças Peculiares” , uma potencial franquia para a FOX, flerta com o público cativo de Harry Potter também. Há até um ar de “X-Men” pairando sobre a produção.

Após a morte de seu avô Abe (Terence Stamp), Jake ( Asa Butterfield ) embarca para uma ilha isolada no País de Gales para descobrir mais sobre o passado dele, que sempre lhe contou histórias fantásticas sobre o orfanato em que viveu, comandado pela senhorita Peregrine ( Eva Green ). Até então, Jake creditava tais relatos, que tanto o fascinara na infância, à demência a qual seu avô fora diagnosticado. Nessa viagem, obviamente, ele vai se reconectar com o avô ao descobrir o maravilhoso mundo dos peculiares e suas fendas temporais.

Samuel L. Jackson volta a fazer um vilão afetado em
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Samuel L. Jackson volta a fazer um vilão afetado em "O Lar das Crianças Peculiares"

Os peculiares aqui são crianças com dotes e dons especiais. Um menino invisível, uma menina com super força, outra tão leve como pluma, um garoto capaz de animar seres inanimados, outra que com um toque é capaz de incinerar objetos e por aí vai. O preconceito é, claro, um tema inerente à obra e o fato da roteirista Jane Goldman ser a responsável pela adaptação ajuda a entender a comunicação com a franquia mutante. Ela escreveu “X-Men: Primeira Classe” (2011) e “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” (2014), que tinha sua trama central calcada em viagens temporais.

Os X-men de Tim Burton também têm sua cota de viagens temporais, por meio de fendas criadas pelos ymbrynes, seres que também têm a habilidade de se transformar em pássaros, para proteger as crianças peculiares dos etéreos, que os caçam de maneira implacável para deles se alimentarem.  

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Apesar de um primeiro ato um pouco truncado, “O Lar das Crianças Peculiares” vai ganhando vida, graça e emoção conforme sua trama vai se desenvolvendo. A despeito de surgir mais contido do que em suas criações mais autorais (“A Noiva-Cadáver”, “Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet”, entre outros), Burton vai deixando suas digitais pela obra, como na construção visual do clímax que combina lirismo e adrenalina como somente possível em um filme do cineasta.

Eva Green volta a trabalhar com o cineasta depois de
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Eva Green volta a trabalhar com o cineasta depois de "Sombras da Noite", como a senhorita Peregrine que comanda o orfanato que dá título ao filme

 “O Lar das Crianças Peculiares” é uma produção concatenada aos anseios da audiência jovem atual, mas tem nos valores imperecíveis sua grande válvula propulsora. Asa Butterfield, que já foi o Hugo Cabret de Scorsese, tem a fotogenia necessária para a fantasia, ainda que lhe falte ocasionalmente algum carisma. O que, claro, não compromete a experiência de quem busca um genérico de Harry Potter para amar ou uma expressão mais comedida do talento de Tim Burton.