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Os oito episódios da 1ª temporada da série já estão disponíveis na Netflix. "Easy" aborda relacionamentos a partir de pontos de partida inusitados

Existem séries que estreiam com grande alarde e outras que chegam despercebidas. Na Netflix , esse cenário é ainda mais desproporcional. No mês de setembro, por exemplo, toda a estrutura de divulgação da plataforma de streaming concentrou-se em “Narcos”  e em “Luke Cage”, que estreia na próxima sexta-feira (30), e pouca gente atentou para a estreia de “Easy”, disponibilizada em todo o mundo na última quinta-feira (22).

Orlando Bloom e Malin Akerman em cena de
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Orlando Bloom e Malin Akerman em cena de "Easy"

Criada por Joe Swanberg , que já havia dirigido episódios das séries “Love”, “Looking” e o filme “Um Brinde à Amizade”, “Easy” não esconde sua vocação hipster ao abordar os sabores e dissabores das relações amorosas modernas ao longo dos oito episódios que constituem a primeira temporada.

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A série é uma antologia, ou seja, tem núcleos e tramas independentes. Cada episódio apresenta um núcleo diferente com um ritmo próprio e personagens distintos. Todos vivendo na cidade de Chicago e ocasionalmente se esbarrando. O elenco caprichado conta com alguns rostos conhecidos do cinema independente americano como Orlando Bloom , Michael Chernus, Malin Akerman, Rebecca Spence, Elizabeth Reaser, Dave Franco, Jake Johnson e a supermodelo Emily Ratajkowski.

Cena do primeiro episódio de
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Cena do primeiro episódio de "Easy", cuja primeira temporada já está disponível na Netflix

Os conflitos são abordados de maneira muito direta, eficaz e inteligente em episódios curtos, de aproximadamente 30 minutos. A primeira cena do primeiro episódio, intitulado “The fucking Study”, dá o tom do programa. Em uma festa, um amigo conta ao outro que leu a respeito de um estudo que diz que mulheres que ganham mais do que os maridos costumam fazer menos sexo com eles. A conversa que se segue adentra à polêmica esperada por um estudo como esse. Há quem o perceba como sexista e há quem veja nele uma grande bobagem. Andi (Elizabeth Reaser), no entanto, fica encafifada. Será que ela transa menos com seu marido, Kyle (Michael Chernus) porque ganha mais que ele e o percebe menos como um homem viril e provedor ou simplesmente por que estão casados há muito tempo?

No segundo episódio, Chase (Kiersey Clemons) fica com Jo (Jacqueline Toboni) após um show de rock. A ficada evolui para um romance e ela tenta mudar seus hábitos para não desagradar a crush vegetariana. Jo faz o tipo consciente ambiental e social e Chase não poderia ser mais deslocada dessa realidade. O arco aborda a nossa necessidade de se anular no outro de uma maneira muito leve e divertida. Sem deixar de ser enfática e reflexiva a respeito. Espirituoso, o episódio se chama “Vegan Cinderella”.

Todos os episódios seguem essa orientação de discutir relações amorosas, em graus e estágios distintos, a partir de um ponto de vista inusitado. Há o marido que abre uma cervejaria ilegal sem o conhecimento da esposa grávida e vê o segredo ganhar proporções de infidelidade e o casal que está tentando engravidar quando um ex da moça reaparece na cidade.

Cena do quarto episódio de
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Cena do quarto episódio de "Easy", série toda ambientada na cidade Chicago, nos EUA

“Easy” não se pretende absoluta sobre os dogmas do amor, mas se resolve como uma das melhores séries da atualidade sobre a qual ninguém está falando. Muita em parte por causa dessa despretensão temperada com muita inteligência, sensibilidade e sutileza. Mas também porque adoramos remoer nossas emoções e contradições e não é sempre que surge um programa tão alinhado a essa necessidade.