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Astro consolidado, Michael Douglas superou câncer, fofocas e entrou até para a família Marvel. Ele é exemplo de gerenciamento de sucesso

Seguramente um dos maiores expoentes da história de Hollywood, Michael Douglas completa 72 anos neste domingo (25) por cima da carne seca, como prega o ditado popular. Casado com a galesa Catherine Zeta-Jones desde 2000 e principal referência do clã Douglas, que tem no pai Kirk Douglas outra grande figura, o ator e produtor superou recentemente um câncer na língua e adentrou o universo cinematográfico da Marvel. Dois fatos sem qualquer relação, mas que dizem muito sobre o status do astro nessa altura de sua vida e carreira.

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Catherine-Zeta Jones e Michael Douglas
SplashNews
Catherine-Zeta Jones e Michael Douglas

A última aparição de Michael Douglas no cinema foi justamente seu debute no universo cinematográfico da Marvel. Ele interpretou o icônico Hank Pym em “Homem-Formiga” .  Além da sequência da produção, intitulada “O Homem-Formiga e a Vespa”, ele está creditado em outros três filmes com estreia agendadas entre 2016 e 2018.  

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Douglas notabilizou-se por ser um dos primeiros atores engajados na produção de filmes. Chegou a ganhar o Oscar como produtor antes mesmo de ser laureado como ator. Ele venceu pela produção do filme “Um Estranho no Ninho” em 1976 e como ator por “Wall Street: Poder e Cobiça” em 1988. Essas duas permanecem como suas únicas indicações ao prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. De todo modo, quem pode se vangloriar de ostentar 100% no Oscar?

Adorado pela classe artística, Douglas transitou da comédia ao drama, passando por suspenses e fitas de ação ao longo de uma carreira que com quase 60 créditos. Criterioso, trabalhou com gente consagrada, como Oliver Stone e Milos Forman, mas com cineastas ousados como Paul Verhoeven e Adrian Lyne. Também emprestou sua celebridade a cineastas iniciantes como Joel Schumacher, Danny DeVitto e David Fincher, com quem colaborou antes de se tornarem grifes atrás das câmeras.

São muitos os filmes icônicos estrelados pelo ator. Mas nenhum personagem remete tanto a Douglas quanto Gordon Gekko , o guru implacável de “Wall Street”, que valeu o Oscar e um lugar na cultura pop. Além de virar referência para todos que tentam um lugar ao sol no mercado financeiro. O ator revisitou o personagem no muito recomendável “Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme” (2010). Outro personagem memorável vivido pelo ator foi o homem comum que surta com a opressão da rotina em “Um dia de fúria”, esse clássico moderno da década de 90, traz um Michael Douglas diferente de tudo que havia feito até então em um thriller urbano de alta voltagem e que ainda hoje provoca identificação em todo o planeta.

O ator, que já admitiu ser viciado sem sexo, o que até gerou uma nunca confirmada clausura no contrato pré-nupcial que fez com Zeta-Jones, já sensualizou muito no cinema também. Entre o final da década de 80 e o início da década de 90 estrelou os chamados thrillers eróticos. “Atração Fatal” (1988), vencedor do Oscar de melhor filme, “Instinto Selvagem” (1992) e “Assédio Sexual” (1994) foram dinamite pura na época e ajudaram a elevar o astro ao patamar de estrela mais quente da Hollywood de então. As parcerias com Glenn Close, Sharon Stone e Demi Moore renderam fofocas que fazem as de hoje parecerem coisa de criança.

Michael Douglas nunca foi um ator reverenciado por seus dotes dramáticos, mas poucos astros gerenciaram tão bem uma carreira tão longeva por tanto tempo. Gente como Al Pacino, Morgan Freeman e Robert De Niro, que atravessaram décadas fazendo filmes, passaram por altos e baixos na carreira. Douglas permaneceu no topo. Ele pode até ter figurado em um ou outro fracasso, como “Que Mulher é Essa?” (2000), mas seus fracassos têm o mérito de esbanjar o charme que lhe é característico. Em bom português, até quando erra, Douglas dá um jeito de acertar. Parabéns para quê, não é mesmo?