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Produção inglesa ilumina história de indiano que contribuiu decisivamente para o avanço da matemática mesmo sem formação acadêmica

Filmes sobre gênios e os obstáculos que enfrentam para verem afirmadas suas genialidades costumam ser constantemente sentimentais, ocasionalmente piegas e muito frequentemente gratificantes. Bons atores e boas histórias costumam resultar em bom cinema, minimizando a precedência dos clichês desse subgênero biográfico. “O Homem Que Viu o Infinito”, que estreia nesta quinta-feira (22) nos cinemas brasileiros, se encaixa categoricamente nessa descrição. Trata-se de um filme pomposo , repleto de lugares-comuns para quem quer que já tenha visto “Uma Mente Brilhante” (2001) ou “Amadeus” (1984), mas dotado de uma incrível história e atores inspirados.

Dev Patel e Jeremy Irons em cena de
Divulgação
Dev Patel e Jeremy Irons em cena de "O Homem que Viu o Infinito"

Dirigido por Matt Brown (“London Town”), o filme reconta a trajetória de Srinivāsa Aiyangār Rāmānujan , um indiano sem qualquer formação acadêmica, mas dono de um intelecto assombroso capaz de reformar muito do conhecimento matemático que se tinha no início do século XX. Interpretado com graciosidade e reverência por Dev Patel (“Quem Quer Ser um Milionário?”), Rāmānujan deixa a Índia com destino a Inglaterra para colaborar com o professor G.H. Hardy ( Jeremy Irons ) e é da interação desses dois atores que “O Homem Que Viu o Infinito” tira muito de sua força.

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Chegando à Inglaterra, Rāmānujan tem que enfrentar preconceito, suspeita, descrédito e a primeira guerra mundial à espreita. Mais adiante, uma cruel tuberculose se estabelece para minar a energia que a princípio julgamos interminável. Ele, no entanto, vai ganhando a confiança, o respeito e a admiração de Hardy, um ateu confesso que resiste ao naturalismo do pensamento matemático do temente a Deus Rāmānujan.

À contrariedade de convicções em que ambos os personagens se jogam em nome da paixão pela matemática ilumina o filme de Brown de grande valor humano, para além da sofisticação de raciocínio ensaiada na interação dos personagens. Há uma cena, em particular, em que Hardy, cansado de tentar convencer seu pupilo da necessidade de provas para suas teorias para fins de publicação, refuta a instintividade das fórmulas apresentadas por Rāmānujan. A partir daquele momento, em que a ciência da fé é posta em debate, o indiano se abate e o professor reage a esse abatimento com uma espontaneidade que não lhe caracteriza.

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“O Homem que Viu o Infinito” tem o mérito de tratar a matemática como uma maravilha divina e obstinação dos homens laicos em reconhecer esse aspecto mágico encarnado no brilhantismo de Rāmānujan. É uma elaboração sutil e necessária a um filme que progride com a benção da previsibilidade, mas que encontra sua própria razão de existir.