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A paulistana participou da abertura da Flip apresentando sua arte. Poeta ambulante, ela comemora o lançamento de seu 2º livro, "Negra Nua Crua"

Desde os oito anos de idade, Mel Duarte já dava os primeiros passos através da rima para a sua arte. Interessada por poesia sem ter o melhor acesso à ela, não foi até os 18 anos que realmente passou a compartilhar suas escritas com o mundo, quando conheceu os movimentos de sarau na cidade de São Paulo, onde cresceu e vive até hoje.

Mel Duarte trata de temas socialmente importantes para a sociedade, como o racismo e o machismo institucionalizados
Reprodução/Facebook
Mel Duarte trata de temas socialmente importantes para a sociedade, como o racismo e o machismo institucionalizados

 Em 2016, aos 27 anos, expandiu sua arte e apresentou sua poesia na abertura da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty), sendo este o segundo evento internacional ao qual participou após ter participado Feira do Livro de Buenos Aires em 2014. E esse não foi o único ponto positivo do ano para Mel Duarte ! Em 31 de março, ela lançou o seu segundo livro, "Negra Nua Crua", que está se espalhando pelo Brasil com as rimas empoderadoras da moça.

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O trabalho foi publicado pela Editora Ijumaa , uma nova referência para a publicação de escritores negros. Na própria página da editora, que é formada por três mulheres negras, elas deixam claro que o objetivo de seu trabalho é "o de posicionar o indivíduo negro como narrador de sua própria história na contemporaneidade". O trabalho de Mel foi o primeiro livro a ser publicado através da editora.

Para ela, a parte mais importante de sua arte é abranger o público jovem em seu alcance e trabalhando em medidas socioeducativas. "Eu gosto muito de trabalhar dessa forma e tento dar acesso pra essa galera, da mesma forma que eu gostaria de ter tido quando era mais nova", disse em conversa com o iG .

Capa do livro
Divulgação
Capa do livro "Negra Nua Crua", escrito por Mel Duarte e publicado pela Editora Ijumaa

Exatamente por isso, Mel conta que prefere não participar de muitas causas direcionadas. "Tem muita ruptura e muito radicalismo nesses espaços. Eu quero usar a minha arte para trazer questionamentos." No entanto, não significa que não faça parte de movimentos nos quais acredita. Ela é voz ativa no coletivo " Slam das Minas - SP ", que também possui uma corrente distinta em Brasília, e tem a intenção de criar um espaço auto-organizado para que mulheres se sintam mais a vontade para apresentar suas poesias.

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Os eventos auto-organizados acontecem todo terceiro domingo do mês, geralmente também com pocket shows de mulheres rappers. Mesmo sem ter um local fixo, a última edição reuniu 170 minas dispostas a apresentar sua arte.

Mel também participa do projeto " Poetas Ambulantes ", que leva as rimas e os saraus ao transporte público, seja em linhas de ônibus, trens ou metrôs. "Nós acreditamos que a poesia pode estar em todos os lugares." Dessa forma, a agenda dela está sempre repleta de arte falada e escrita, e isso está sendo muito positivo. "Não só pela Flip, mas por estar me apresentando em muitos espaços, este ano foi um processo de caminhada longo, mas muito positivo para mim", disse.

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Tratando de temas importantes na atualidade, ela aborda o machismo, racismo e preconceito no geral que sobrevive de forma tanto explícita quanto enrustida em meio a nossa sociedade. Em sua página no Facebook, "Mel Duarte poesia", é possível acompanhar sua agenda de eventos e adquirir seu livro na loja virtual de sua editora.