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Novo suspense do diretor da refilmagem de "A Morte do Demônio" é um soco no estômago e apresenta o melhor vilão de 2016 nos cinemas

Em meio a um cinema tão pretensioso e pautado por grandes projetos ou filmes deliberadamente fora da curva, é cada vez mais raro se deparar com um filme como “O Homem nas Trevas” , um suspense barato, sem nenhum astro e com um diretor ainda iniciante.

É raro estúdios abraçarem projetos como esse atualmente e o fato de Sam Raimi , da primeira trilogia “Homem- Aranha”, ter apadrinhado Fede Alavarez , uruguaio que dirigiu a refilmagem de “A morte do Demônio” (2013), influenciou a decisão da Sony de patrocinar uma produção tão inusual no cenário cinematográfico atual.

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Cena do filme
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Cena do filme "O Homem nas Trevas", que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (8)

A grande sacada do enxuto “O Homem nas Trevas” é perverter a lógica de mocinho e vilão ao longo da projeção. Apesar desse interessante viés narrativo, não é um filme com mais ambição do que se valer como boa hora e meia de entretenimento. Coincidência ou recompensa para tanto despojamento, a produção ostenta o melhor – e mais assustador – vilão do ano.

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Rocky (Jane Levy), Alex (Dylan Minnette) e Money (Daniel Zovatto) costumam praticar pequenos furtos em casas de um subúrbio em que a maioria das residências tem alarmes instalados pela empresa do pai de Alex. É um esquema relativamente seguro e que mantém o garoto próximo de Rocky, por quem Alex nutre sentimentos. A menina é namorada de Money, que apresenta ao grupo um assalto aparentemente fácil: roubar a casa de um veterano de guerra cego que guarda uma fortuna oriunda de uma indenização pelo atropelamento de sua filha.

O trio de assaltantes que passam de algozes a vítimas em uma boa sacada do roteiro
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O trio de assaltantes que passam de algozes a vítimas em uma boa sacada do roteiro

Interpretado por Stephen Lang , de “Avatar” e da série “Into The Badlands”, o homem cego não só se prova menos indefeso do que a trupe esperava, como revela um sadismo cada vez mais desconfortável para a audiência.

Lang cria seu personagem como um ser humano em escala regressiva a sua condição mais animalesca. O fato de o personagem confiar mais em outros sentidos, uma vez que não tem a visão, - e pouco falar – o tornam muito mais assustador.

O diretor Fede Alvarez orienta a atriz Jane Levy no set de
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O diretor Fede Alvarez orienta a atriz Jane Levy no set de "O Homem nas Trevas"

É bem verdade que Fede Alvarez aposta em mais reviravoltas do que o desejável, mas o jogo de gato e rato entre o homem cego e esses nem tão ingênuos pós-adolescentes é uma das coisas mais empolgantes do cinema na temporada. E das mais tensas também. Da trilha sonora, que utiliza sons da própria casa para temperar a música do filme, às boas soluções visuais que encenam essa caçada no escuro e em um ambiente fechado – dando mais vigor ao título original “Don´t Breathe” (não respire, em tradução literal) – o filme é um acerto do início ao fim.

Sem a expectativa de metaforizar nada sobre a condição humana ou de prover grandes insights sobre honra ou qualquer coisa do gênero, “O Homem nas Trevas” é um suspense de primeira linha. Do tipo que Hollywood produzia aos borbotões e que hoje é recebido com grande festa, e estardalhaço nas bilheterias (o filme lidera o box office americano há duas semanas), por ser algo tão incomum.