Tamanho do texto

Produção que estreia nesta quinta-feira (25) nos cinemas brasileiros honra legado deixado por "Tubarão", clássico de Steven Spielberg

O mar costuma render filmes aflitivos. Quando tubarões também fazem parte do show, tudo fica ainda mais dramático. “Águas Rasas”, dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra de “A órfã” e “Noite sem Fim”, é um herdeiro à altura da tradição instaurada pelo clássico “Tubarão” (1975), de Steven Spielberg.

Blake Lively garante a tensão em
Divulgação
Blake Lively garante a tensão em "Águas Rasas"

Blake Lively , que já havia se provado boa atriz em filmes como “Atração Perigosa” (2010), mostra que já consegue sobreviver além do hype da série “Gossip Girl” e tem aqui a oportunidade de sua carreira. Presente em todas as cenas e atuando praticamente sozinha, Lively garante a tensão nas alturas, sai-se bem fisicamente e capricha quando a emoção entra em cena.

+ Medo do escuro faz de “Quando as Luzes se apagam” melhor filme de terror do ano

A atriz vive a estudante de medicina Nancy que decide passar um dia em uma praia secreta no México, lugar em que sua mãe estava quando se descobriu grávida dela. A razão da viagem é uma só. Nancy tenta se reconectar com a mãe, morta há pouco tempo.

Cena do filme
Divulgação
Cena do filme "Águas Rasas", estreia desta quinta-feira (25) nos cinemas

Como o material promocional antecipa, não vai ser um dia simples na praia. Nancy, de repente, se descobre refém de um tubarão que surpreendentemente aparece tão logo a maré sobe. 

Serra tem noção de espetáculo e “Águas Rasas”, apesar de ser essencialmente mais modesto do que outras produções da temporada como “Independence Day – O Ressurgimento” ou “Capitão América: Guerra Civil” se prova tão divertido quanto. A produção ganha pontos, ainda, por se fiar como um valoroso filme sobre o luto. O processo interno pelo que passa a personagem de Lively é profundamente afetado pela experiência decisiva que ela vivencia ali cercada por um predador.

+ Sonia Braga viverá a mãe de Julia Roberts nos cinemas

Serra sabe trabalhar bem a tensão e coloca o público onde quer. Há, por exemplo, uma cena em que testemunhamos a ação letal do tubarão pela expressão de desespero de Nancy. Um recurso narrativo muito mais aterrador do que se mostrasse o ataque do tubarão em si. O que não quer dizer que ”Aguas Rasas” não honre a alcunha de produção hollywoodiana e apresente efeitos especiais caprichados. A questão é que Serra sabe quando fazer uso deles, o que faz com que o filme ganhe ainda mais fôlego dramático.

“Águas Rasas” é daqueles filmes em que tudo está no lugar certo, menos o seu batimento cardíaco. Muitas das vezes, é tudo o que queremos encontrar quando entramos em uma sala de cinema.


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.