Tamanho do texto

Nate Parker, diretor de "The Birth of a Nation", filme já cotado para o Oscar, se vê obrigado a defender-se perante à opinião pública de uma acusação do passado. Um caso de estupro do final da década de 90 está de volta

Nate Parker está atuando já faz mais de dez anos. Participou de ótimos filmes como "A Vida Secreta das Abelhas" (2008) e "História de Amor no Texas" (2014) e decidiu que era hora de dar um passo importante na sua carreira. Com "The Birth of a Nation" faz sua estreia como diretor e já foi premiado no Sundance Film Festival de 2016, com bons indícios de estar no rumo certo para concorrer ao Oscar .

Nate Parker faz sua estreia como diretor em
Reprodução
Nate Parker faz sua estreia como diretor em "The Birth of a Nation"


Deslanchando na carreira com " The Birth of a Nation ", acontecimentos do passado de Nate Parker voltaram à tona 15 anos depois. Em 1999, estava na faculdade e dividia o dormitório da Penn State com  Jean McGianni Celestin , seu co-roteirista no filme. Um dia, os dois levaram para seu quarto uma moça que também frequentava a faculdade. Ambos afirmam que as relações foram consensuais, mas ela alegou que estava desacordada, bêbada e incapaz de dar consentimento. 

+ Medo do escuro faz de “Quando as Luzes se apagam” melhor filme de terror do ano

O caso foi para julgamento, Parker foi absolvido por já ter tido um encontro consensual anterior com a garota em questão, e Celestin chegou a ser condenado, mas recorreu e teve sua sentença derrubada em 2001. Caso encerrado. A moça cometeu suicídio em 2012, o que não melhorou a aparência dos acontecimentos para o lado dos dois.

O caso não era um segredo, no entanto. A transcrição do julgamento é de domínio público e o Deadline teve acesso à esses arquivos . Em uma entrevista concedida ao portal, Parker falou abertamente sobre o assunto e até mesmo relacionou os eventos do seu passado ao seu filme, "The Birth of a Nation".

Divulgação
"The Birth of a Nation"

Ele assumiu a responsabilidade pelo caso e afirmou ter crescido como homem, pai e artista desde o ocorrido, e está determinado a não deixar seu filme ser afetado pelo caso de 1999, acreditando na importância do seu trabalho e na forma como ele se relaciona ao que aconteceu com ele. "Frederick Douglas disse: 'Quando eu me tornei livre, comecei a perceber o impacto que a escravidão teve, não apenas naqueles que foram escravizados, mas também nos senhores de escravos.' Meu filme não aponta o dedo para alguém por ter nascido branco nos anos 90. Mas diz que, se você nasceu branco nos anos 90, talvez você tenha coisas que vivem no seu coração e no daqueles que te cercam. Para quem nasceu negro nos anos 80 ou 90, você não nasceu na escravidão de 1831, mas todos herdamos coisas que não criamos."

Quanto ao caso ter vindo à tona, Nate Parker declara que tinha certeza que isso iria acontecer e que sua atitude do passado não define suas atitudes atuais em relação às mulheres. "Está na minha página do Wikipedia. Eu estou aqui, com 36 anos de idade, 17 anos depois de um dos momentos mais dolorosos da minha vida", disse. "As mulheres sempre foram uma parte tão importante da minha vida. Todos os dias eu tento ser um pai melhor para as minhas cinco filhas, e um marido melhor para a minha esposa. [...] Eu não vou reviver esse tempo da minha vida toda vez que eu for analisado. Eu não posso controlar a forma como as pessoas se sentem. A única coisa que eu posso fazer é ser o homem mais honrável que eu puder ser."

+ Candidatos ao trono de ferro lançam campanha eleitoral em "Game of Thrones"

Em "The Birth of a Nation", o próprio Parker vive o protagonista Nat Turner, um escravo que recebe de seu senhor a função de acalmar os outros escravos mais rebeldes. Após algum tempo cumprindo sua função e presenciando todos os abusos vividos pelos outros escravos, ele decide liderar o movimento para a libertação dos escravos. "Viver a vida com a maior integridade que eu puder e me colocar contra a injustiça em qualquer lugar que eu a veja, fazer acusações contra injustiças à pessoas de cor, à comunidade LGBT. Esse sou eu. A comunidade negra é a minha comunidade, a comunidade LGBT também, e a comunidade feminina. É quem eu sou. Quando eu fiz esse filme, eu disse: 'Se você passa por injustiças, este é o seu filme'. Esse é o legado que eu quero deixar", declarou Nate Parker.


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.