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Produção francesa, que estreia nesta quinta-feira (11) nos cinemas brasileiros, remonta célebre operação contra o tráfico de drogas que uniu franceses e americanos na década de 70

Inspirado no clássico americano vencedor do Oscar “Operação França”, “A Conexão Francesa” é baseada em uma operação real ocorrida na França da década de 70. O filme de Cédric Jimenez mais do que se aproximar da obra de William Friedkin , se impregna de toda a aura dos thrillers americanos dos anos 70. Filmes como “A Conversação”, “Três Dias do Condor” e “Serpico” são referências narrativas, visuais e até mesmo simbólicas para a realização.

O oscarizado Jean Dujardin em cena do thriller
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O oscarizado Jean Dujardin em cena do thriller "A Conexão Francesa"

Jean Dujardin  interpreta o magistrado Pierre Michel. Responsável pela vara de menores de Marselha, ele já tinha uma noção dos efeitos que o império das drogas de Gartan Zampa ( Gilles Lellouche ) provocava na cidade. Isso talvez explique o tino obsessivo com que ele parte no encalço de Zampa quando assume a vara responsável por julgar casos relacionados ao crime organizado.

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Acostumados com juízes pouco ativos, os policiais estranham inicialmente a postura proativa de Michel, mas aos poucos, juiz e força-tarefa vão afinando estratégias e produzindo resultados positivos.

“A Conexão Francesa” é uma história sobre corrupção. De como os tentáculos do crime, ou do vício - no paralelo com os conflitos pessoais dos antagonistas, se embrenham no sistema, em geral, e no ser humano, em particular.  Existe por parte da realização a preocupação de humanizar o relato, para que a história não se sobreponha aos personagens. Se há uma indefectível vantagem em se contar com bons atores como Dujardin e Lellouche para tal, é inegável que o roteiro não opera no nível dos atores ou mesmo do que intenciona Jimenez.

Filme não economiza nas cenas de violência e não esconde a inspiração nos clássicos americanos
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Filme não economiza nas cenas de violência e não esconde a inspiração nos clássicos americanos

O primeiro ato é um tanto confuso e há reviravoltas que um expectador mais calejado pode antecipar com razoável antecedência. De qualquer forma, a ideia de um thriller francês contemporâneo que dialogue, em estilo e narrativa, com o que de melhor o cinema americano produziu nos anos 70 é irresistivelmente charmosa.

“A Conexão Francesa” pode não reinventar a roda, mas vale muito o ingresso.

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