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Personagem de Cara Delevigne é a principal antagonista do filme, mas sua presença é altamente dispensável. Esta reportagem contém spoilers!

"Esquadrão Suicida" estreou na semana passada e não foi exatamente amado pelos críticos, recebendo análises bastante negativas. Apesar disso, o filme conseguiu estrear faturando US$ 135, 1 milhões (cerca de R$ 744 milhões). No entanto, ao assistir ao longa, existe pelo menos um ponto que, independente da expectativa ou boa vontade, é difícil de engolir: a personagem Magia.

Reprodução/Youtube
"Esquadrão Suicida": A personagem Magia (Cara Delevigne) é a pior parte do filme

Interpretada por Cara Delevigne , a poderosa feiticeira é a principal antagonista do filme . Pela interpretação, motivações superficiais e desenvolvimento fraco a vilã, ao invés de ser grande, torna-se uma gigante fonte de vergonha alheia. Saiba cinco razões que fazem de Magia a pior parte de " Esquadrão Suicida ":

Atenção! Este texto contem spoilers!

Efeitos especiais 

O filme procura utilizar mais efeitos práticos do que recursos de computação gráfica – no entanto, pelo caráter místico da personagem em questão, é inevitável que efeitos especiais sejam utilizados (e é uma pena que sejam tão mal executados). Magia apresenta duas formas distintas, e ambas utilizam de uma série de efeitos mal trabalhados que fornecem um tom farsesco a todas as situações na qual ela se envolve. Os efeitos dos grandes feitiços lançados pela bruxa em "Esquadrão Suicida" também são mal acabados e acabam criando cenários risíveis – em mais uma ocasião, parece que Cara Delevigne está flutuando sobre uma grande tela verde.

Má atuação

Cara Delevigne não é uma péssima atriz, mas errou feio a mão na hora de compor esta personagem. Magia é uma antiga feiticeira que habita o corpo da mortal June Moone, uma aventureira que, conforme descrito no filme, entrou na caverna errada e acabou despertando um mal antigo. Logo, Cara teve de interpretar as duas facetas desta personagem: a frágil Moore e a perigosa Magia.

Cara Delevigne como June Moone, jovem que é possuída pela perigosa Magia
Reprodução/Youtube
Cara Delevigne como June Moone, jovem que é possuída pela perigosa Magia

O problema é que a atriz não consegue encontrar o tom correto para nenhuma das duas. Nas poucas cenas em que incorpora Moone, ela fica mais contida nas emoções, mas toda vez que precisa chorar cai em uma interpretação forçada e piegas. Os piores momentos são como Magia, sendo que ela faz uma série de movimentos, gestos e caras e bocas que saem do nível teatral e caem no exagerado, ficando bastante “fake”.

Mau desenvolvimento da personagem

Um dos pontos mais interessantes de “Esquadrão Suicida” é a maneira como cada personagem é construído. Os membros do Esquadrão e aqueles que os cercam têm um histórico relativamente bem explicado e apresentam diferentes personalidades que, quando colocadas juntas ou em conflito, apenas enriquecem a narrativa do longa. No entanto, de todos os personagens, a vilã é a que mais destoa desta realidade.

Ao invés de ser repleta de nuances e de tentar cativar o público por meio de algum background interessante, em "Esquadrão Suicida" Magia é apenas uma bruxa louca por poder e com sede de vingança por ter sido aprisionada em um artefato pelas pessoas que um dia a veneraram como uma deusa. Mais clichê, impossível.

Vilã poderosa demais (será?)

Outro elemento que cria uma espécie de grande paradoxo no filme é o poder à disposição de Magia e como os outros são capazes de enfrentá-la. Para uma bruxa extremamente poderosa – capaz de criar um exército de monstros e de lançar um feitiço destruidor de regiões inteiras – na hora de mostrar suas habilidades em um confronto direto, ela faz muito pouco para se defender, criando visões para confundir seus inimigos, por exemplo.

A personagem Magia em cena do filme
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A personagem Magia em cena do filme "Esquadrão Suicida"

Tudo isso torna o filme muito irreal, porque já que apenas dois membros do esquadrão possuem poderes especiais, pedir que o espectador compre que eles seriam capazes de derrotar uma inimiga tão poderosa sozinhos é um pouco demais. Mais bizarro o quão pouco ela demonstra de seus poderes.

Derrocada final

Talvez a parte mais absurda do filme inteiro seja a maneira como a vilã é derrotada. Ao longo de "Esquadrão Suicida" vemos a personagem usar seus poderes para fazer uma série de feitos impressionantes, mas como já dito, na hora do combate, a vilã pouco faz para reagir. O ápice de seu fracasso ocorre quando ela é enganada por Arlequina ( Margot Robbie ). A personagem finge que não consegue mais lutar e que decide se render à feiticeira sob a promessa que será poupada e que terá seus desejos realizados. E é justamente nesse momento, quando se aproxima de Magia, que Arlequina arranca o coração da vilã, derrotando-a.

Com certeza o momento mais bobo de todo “Esquadrão Suicida”: como um ser tão poderoso foi derrotado por um truque tão tolo? Magia não era uma mestre das artes místicas, com poderes quase ilimitados? Como caiu em um dos truques mais velhos do livro? No mínimo, sem nexo algum.

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