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Com nova roupagem, o espetáculo traz a forte marca das ruas, desde o hip-hop até a diversidade marginal de diversas tribos

"Godspell - o musical" chega aos palcos de São Paulo, nesta quinta-feira (4), no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado.  O espetáculo  é um  clássico da Broadway que tem sua história baseada nas parábolas do Evangelho de São Mateus.  A produção é dirigida por  Dagoberto Feliz , um dos fundadores do Grupo Folias d’Arte, conhecido também por seus trabalhos como músico, ator e diretor musical, além de ser um dos integrantes da trupe Doutores da Alegria.  

 Rafael Pucca no papel de Jesus e Beto Sargentelli como Judas
Luis França / Divulgação
Rafael Pucca no papel de Jesus e Beto Sargentelli como Judas

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”O processo de construção do musical me deixou bastante mexido com as palavras de Jesus, penso que elas fazem todo sentido para o mundo de hoje, meio ‘down’, que está completamente desfeito, que despencou e carece de Estado, amor, educação, cultura, saúde e igreja. As palavras d´Ele (Jesus) gritam aqui, e por isso quis que elas conversassem com tudo, com cenários, figurinos e tons, que seguem a paleta de cinza, preto, bege e branco, e ganham cor em alguns momentos e elementos”, explica Dagoberto Feliz.

Leonardo Miggiorin como Jesus e Beto Sargentelli no papel de Judas
Luis França / Divulgação
Leonardo Miggiorin como Jesus e Beto Sargentelli no papel de Judas

O musical é estrelado por Leonardo Miggiorin e Rafael Pucca, que se revezam no papel de Jesus, Beto Sargentelli , que dá vida a João Batista e Judas, e Juliana Pepp i, a divertida Joanne, além de novos nomes e talentos do teatro musical brasileiro, escolhidos a dedo no processo de audição. “ É uma grande surpresa, pois eu não esperava que fosse revezar da forma como estou revezando hoje, quando eu tenho a oportunidade de ver o Leonardo fazendo eu aprendo muito com ele, porque o Jesus dele tem uma pegada completamente diferente do meu” contou Rafael.

Leonardo Miggiorin caracterizado de Jesus para o musical
Luis França / Divulgação
Leonardo Miggiorin caracterizado de Jesus para o musical

“Interpretar Jesus Cristo é sempre muito tocante, é um exercício também de compreensão do que Ele dizia, da palavra que Ele trouxe, então é sempre um aprendizado, mas é também um prazer. Eu confesso que estou nervoso com essa estreia, com esse inicio, mas é sempre muito prazeroso estar neste espetáculo”, disse Miggiorin  

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O musical que mistura comédia, poesia, e a filosofia do “bem viver” através de um jogo teatral divertido e simbólico, conta a história de um grupo de 10 pessoas avessas e incrédulas, que tem seus caminhos cruzados com João Batista e Jesus. Eles descobrem que é possível se ter um novo olhar sobre a vida e as ações do dia-a-dia, construindo assim uma comunidade que passa a buscar através do amor e da fé, compreensão, generosidade e união, entre outros.

Carlos Alberto Jr , também ator e cantor, é responsábel pela direção musical. Ele se preocupou em dar a liga necessária à harmonia e aos ajustes entre a banda e o elenco para que o pleno diálogo vocal-instrumental da obra chegasse a um resultado final de qualidade. “Senti que era chegado o momento de me desafiar como profissional; Após dois anos no palco, em ‘O Rei Leão’, deixei de lado o ator e cantor de musicais para dar lugar ao produtor, e escolhi trazer um espetáculo da Broadway que gosto muito para iniciar este ciclo”, disse.

Novidade

Se, nos anos 1970, a estética hippie influenciou decisivamente as primeiras montagens, a que chega agora a São Paulo traz a forte marca das ruas, desde o hip-hop até a diversidade marginal das diversas tribos. Está é a  proposta de manter aberto o jogo cênico, Dagoberto, auxiliado pelo cenógrafo Paulo Correa, pensou em um cenário aberto, formado por elementos habitualmente usados por atores, como figurinos, adereços, objetos de cena.

 Trajetória

O musical, de autoria de Stephen Schwartz e John-Michael Tebelak, estreou na Broadway em maio de 1971 e desde então já teve várias remontagens e, inclusive, um filme. No Brasil, a primeira montagem aconteceu dois anos depois, em 1973, tendo no elenco grandes nomes como Antonio Fagundes no papel de Jesus Cristo. Em 2002, Miguel Falabella dirigiu uma versão com atores como Fred Silveira, Sara Sarres, Amanda Acosta e Paula Capovilla.

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