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Filme que estreia nesta quinta-feira (21) leva o espectador a Los Angeles dos anos 70 com um visual fumê, trilha sonora característica e muito humor. Atores vivem detetives que tentam desbaratar conspiração que envolve assassinatos e as indústrias pornográfica e automobilística

Uma queixa constante em relação ao cinema americano contemporâneo diz respeito à falta de criatividade e originalidade verificadas em meio a tantas sequências, refilmagens, adaptações de HQs e franquias infanto-juvenis.  No meio de toda essa barulheira, de vez em quando surge um filme como “Dois Caras Legais” , que promove uma nostalgia de tempos em que Hollywood era mais cinema e menos indústria.

Ryan Gosling e Russell Crowe dão novo charme às comédias policiais a partir desta quinta-feira (21) nos cinemas brasileiros
Divulgação
Ryan Gosling e Russell Crowe dão novo charme às comédias policiais a partir desta quinta-feira (21) nos cinemas brasileiros

Dirigido por Shane Black , responsável pelos roteiros da série “Máquina Mortífera”, aquela em que Mel Gibson fazia o policial amalucado e Danny Glover , o tira “velho demais” para tudo que estava acontecendo, “Dois Caras Legais” apresenta uma boa história, com bons atores e não almeja nada mais do que ser um bom entretenimento para quem se predispuser a pagar o ingresso.

Russell Crowe é Jackson Healy, o sujeito que você procura se quiser dar uma surra no amante da sua esposa. Ele recebe de uma assustada jovem chamada Amelia ( Margaret Qualley ) a tarefa de dar uma dura em um sujeito que a está perseguindo. É assim que ele cruza o caminho de Holland March ( Ryan Gosling ), um viúvo que virou detetive particular porque tinha preguiça de fazer qualquer outra coisa da vida e que pensa que manda em sua filha (a surpreendente e doce Angourie Rice ), mas na verdade obedece.

Healy e March, desastradamente, acabam envolvidos no posterior sumiço de Amelia, que por sua vez está relacionado ao assassinato de uma estrela pornô (!). Assim, meio de supetão, eles decidem levar o caso adiante e descobrir a verdade. “Dois Caras Legais” é ambientado na Los Angeles dos anos 70 e o colorido cafona da época, a efervescência do cinema pornô, a decadência da indústria automobilística, bem como a contracultura são elementos muitos vivos no filme. A trilha sonora, com nomes como Al Green, Bee Gees , Kiss , The Band , entre outros, dá um tom especial à jornada de Healy e March para encontrar Amelia e a verdade.

Ryan Gosling em cena do filme
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Ryan Gosling em cena do filme

A comédia de ação tem sido um bom refúgio para astros de cinema em decadência. Mel Gibson (“Plano de Fuga”) e Nicolas Cage (“Fúria sobre Rodas”) são dois exemplos, mas Russell Crowe dispõe de um material mais sofisticado aqui. É o primeiro papel realmente cômico do ator, mais reconhecido pelos dramas, que já se experimentou na ação com “Prova de Vida” (2000) e até pelo romance com “Um Bom Ano” (2006). O bromance que tem com Ryan Gosling aqui vale a Crowe seu melhor momento no cinema desde “Intrigas do Estado” (2009).

Gosling, que já havia demonstrado talento para a comédia em filmes como “Amor a Toda Prova” (2011) e “A Grande Aposta” (2015), se mostra vigoroso na comédia física e capricha na química com seu companheiro de cena.

O bromance é o que ganha maior relevo em “Dois Caras Legais”, que tem muitas tiradas sarcásticas e um cinismo maroto que não se vê mais no cinemão americano. A investigação tocada por Healy e March é simples, mas a maneira como eles vão descobrindo a verdade é complexa. Parte do charme do filme reside justamente neste falso paradoxo.