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Continuação de um dos maiores sucessos da Pixar joga os holofotes em uma das personagens mais carismáticas da história da animação e acerta do início ao fim

Desde que a Pixar começou a fazer sequências de seus filmes, o mundo se perguntou quando iríamos rever os personagens do queridíssimo “Procurando Nemo”, um dos grandes hits de 2003 nos cinemas; especialmente Dory, a esquecida peixe azul dublada por Ellen DeGeneres que roubou a cena no original.

Animação da Pixar estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros
Divulgação
Animação da Pixar estreia nesta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros

Depois de apresentar sequências de “Toy Story”, “Carros” e “Monstros S.A” e experimentar o seu único fracasso comercial até a data com “O Bom Dinossauro”, o estúdio coloca nos cinemas “Procurando Dory”, focado em uma das personagens mais carismáticas da história da animação digital.

A produção, que em seu primeiro fim de semana em cartaz nos EUA, quebrou o recorde que pertencia a “Shrek Terceiro” e estabeleceu a maior bilheteria de abertura para uma animação. É um dado promissor que, se atesta o fato da Pixar operar dentro de uma margem de segurança, apostando em uma marca já estabelecida, reafirma a capacidade do estúdio de desenvolver satisfatoriamente suas marcas.

“Procurando Dory” é claramente um produto que flerta com a nostalgia do público, uma flagrante tendência neste verão americano de 2016, destinado a levar mais adultos do que crianças ao cinema. É, também, um filme com alma e coração, com bons personagens, uma mensagem tão edificante quanto a do primeiro e com humor calibrado na medida certa.

A versão nacional do filme conta com Antônio Tabet , conhecido do público pelos trabalhos no “Kibe Loco” e no “Porta dos Fundos”, como Hank, um molusco que perdeu um tentáculo e é o grande escudeiro de Dory neste segundo filme. Tabet acresce um tempero nacional ao personagem que funciona às mil maravilhas. Sob muitos aspectos, Hank faz por este filme o que Dory fez pelo primeiro. De todo modo, a personagem dublada por DeGeneres continua como a grande atração.

Hank e Dory: a peixinha desperta o melhor em todo mundo
Divulgação
Hank e Dory: a peixinha desperta o melhor em todo mundo

Tomada por uma saudade repentina de seus pais, Dory decide procurá-los. Marlin ( Albert Brooks ) e Nemo ( Hayden Rolence ) partem com ela na jornada até a Califórnia, suposto lugar em que moram os pais da peixinha azul. Eles acabam se perdendo e Dory, capturada por humanos, é levada ao Instituto de Vida Marinha, que tem como objetivo cuidar dos peixes para devolvê-los ao mar. O filme divide-se, então, na busca de Nemo e Marlin pela desmemoriada Dory e desta por seus pais.

Um dos grandes méritos do filme é enredar o público na jornada de Dory. A torcida para que ela alcance seu objetivo, claro, é gigantesca, mas fazer com que a audiência testemunhe seu esforço para manter vívida a lembrança do porque está fazendo tudo isso é o que faz “Procurando Dory” funcionar tão bem dramaticamente. 

Divertido, emocionante, agregador e profundamente nostálgico, “Procurando Dory” é um entretenimento infalível. A exemplo do primeiro, não se agrupa aos melhores momentos da Pixar no cinema, mas fica ali naquele extrato de melhores momentos que guardamos ter vivido no cinema. Não é pouca coisa.