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Episódio que pôs ponto final no sexto ano da série realinhou conflitos com revelações e acontecimentos bombásticos. Há spoilers para quem não assistiu "The Winds of Winter"

“Quando você joga o jogo dos tronos, ou você ganha ou morre. Não há meio termo”. Vez ou outra as palavras de Cersei ( Lena Headey ) para Ned Stark ( Sean Bean ) quando este descobriu a relação incestuosa dela com Jamie ( Nicolaj Coster-Waldau ) ecoam pela série, mas jamais o fizeram com a força e propriedade testemunhadas em “The Winds of Winter”, que fechou o sexto ano da produção da HBO.

Cersei virou a mesa do jogo no último episódio do sexto ano
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Cersei virou a mesa do jogo no último episódio do sexto ano

Para além da carnificina, que rendeu piadas sobre cortes no orçamento para o departamento de atores, o derradeiro episódio da temporada ajustou a disputa pelo trono de ferro, reposicionou pretendentes, redefiniu estratégias e coroou aquela que foi seguramente a melhor temporada da série.

“Game of Thrones” é uma série que preza a narrativa como poucas produções o fazem. Uma prova de que não há cenas gratuitas no programa foi a conversa de Bronn ( Jerome Flynn) e Jamie durante o banquete oferecido por Walder Frey ( David Bradley ). Ali já víamos Arya ( Maisie Williams) mirando um de seus potenciais alvos.

A vingança do casamento vermelho, como cunharam os fãs na internet, é outra demonstração do vigor da série. O tempo de narrativa e de desenvolvimento de arcos e ideias rendem maravilhas quando cultivados com a diligência verificada aqui.

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Consagrada rainha dos Ândolos e senhora dos Sete Reinos, Cersei sentou-se no trono de ferro depois de reconfigurar toda a política em King´s Landing. Além do cumprimento da profecia de Maggy – e a morte de Tommen ( Dean-Charles Chapman ) já se insere na antologia de grandes cenas da série - podemos perceber que o amargor de Cersei atingiu níveis inéditos. Ela, afinal, tomou uma iniciativa tão virulenta quanto a de Aerys Targaryen, que motivou Jamie a matá-lo. A face de Jamie no fim do episódio, onde podiam ser percebidas tanto perplexidade como aflição, indica esse distanciamento de Cersei que o reencontro com Brienne ( Gwendoline Christie ) já havia sugerido.

Jaime é uma das grandes incógnitas do sétimo ano
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Jaime é uma das grandes incógnitas do sétimo ano

O eventual estremecimento no vínculo dos Lannisters pode agravar circunstâncias que já se enunciam suficientemente críticas com o avanço de Daenerys com seus dragões e imaculados, além do apoio logístico dos Greyjoy e as alianças recém-formadas por Lorde Varys ( Conleth Hill ) com Dorne e os Tyrell.

Se Daenerys surge hoje como a candidata mais bem aparelhada ao trono de ferro, a revelação de que Jon Snow ( Kit Harington ) é, na verdade, filho de Lynna Stark com Rhaegar Targaryen levou os fãs à loucura ao oficializar uma das teorias mais populares da série. Uma curiosidade que talvez demonstre que a revelação ainda não ocorreu plenamente é o fato de que as mães de Tyrion ( Peter Dinklage ), Jon e Daenerys morreram no trabalho de parto de seus filhos. Seria Tyrion, também, um Targaryen? A teoria é menos popular e mais improvável do que a de Jon, pois há poucos vestígios na obra que a corroborem, mas não há nada que a inviabilize.

De toda forma, o sexto ano de “Game of Thrones”, que avançou sobre os livros de George R. R. Martin ofertando aos leitores novidades e desfechos há muito ansiados, registrou grandes momentos dramáticos, como a ressureição de Jon Snow, a batalha dos bastardos, a morte de Hodor, entre outros.

O novo rei do Norte pode ter muito mais a pleitear em um futuro próximo
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O novo rei do Norte pode ter muito mais a pleitear em um futuro próximo

O domínio narrativo de Dan Weiss e David Benioff sobre o show atingiu um patamar de sofisticação de causar inveja a qualquer série atual e diminuir mesmo séries de histórica aprovação crítica como “Mad Men” e “Família Soprano”. Nunca se costurou com tanto esmero, imaginação e talento uma trama tão diversa, com tantos personagens e ramificações. A cada ano que passa, pelo barulho que provoca, mas também pela maneira engenhosa que fabrica esse barulho, “Game of Thrones” se isola ainda mais no trono da excelência da TV mundial.

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