Tamanho do texto

Final do 5º ano chocou fãs e apenas revelações do passado dos Stark poderiam suscitar reação similar. Último episódio da 6ª temporada deve elevar clímax da disputa pelo trono de ferro

Sob muitos aspectos, o nono episódio da sexta temporada de “Game of Thrones”, que acaba de alcançar a marca de episódio melhor avaliado entre todas as séries no site IMDB, redesenhou a famigerada disputa pelo trono de ferro. Denominado “Battle of the Bastards”, o episódio levou às vias de fato um confronto que atiçava fãs há muito tempo e que desde o início deste ano já podia ser intuído. Jon Snow ( Kit Harington ) e Ramsey Bolton ( Iwan Rheon ) mediram forças em uma batalha campal para lá de climática e detalhista. O episódio selou, ainda, a improvável união entre Yara ( Gemma Whelan ) e Theon ( Alfie Allen ) Greyjoy e Daenerys Targaryen ( Emilia Clarke ).

Foram resoluções que reposiocionam completamente as peças nesse jogo em que você vence ou morre, como tão bem explicou Cersei ( Lena Headey ) certa vez para Ned Stark ( Sean Bean ).

Cena de
Divulgação
Cena de "The Winds of Winter", décimo e último episódio da sexta temporada de "Game of Thrones"

A escala épica do episódio, todo ele forjado para refletir o impacto que só “Game of Thrones” é capaz de causar hoje no seio da cultura pop, talvez esconda a maneira sutil com que alguns avanços significativos se apresentaram.

Antes de qualquer coisa, o episódio consagrou uma tônica desse sexto ano. Os Stark, que tanto sofreram ao longo da série, estão reivindicando sem qualquer cerimônia o que é deles por direito. Enquanto tudo pareceu muito lento no desenvolvimento do núcleo de King´s Landing, a ação se desenrolou com muito mais dinâmica e urgência no Norte. Personagens desaparecidos retornaram, personagens tidos como mortos reapareceram, um personagem morto literalmente ressuscitou e muita movimentação pelo controle do Norte, agora novamente sob os Stark, foi feita.

Já a disputa pelo trono de ferro parece ter esfriado. Se o Alto Pardal ( Jonathan Pryce ) fez um movimento hábil ao aproximar-se de Tommen ( Dean-Charles Chapman ) e garantir o afastamento deste de sua mãe, Cersei, e submeter, pelo menos pontualmente, Margaery ( Natalie Dormer ) a seus interesses, o líder da fé militante pode ter desencadeado eventos tenebrosos sobre a cidadela. Cersei está tramando algo e, com o julgamento por combate suspenso por decreto real, ela seguramente não tem muito a perder.

Se os Stark reencontraram algum alento, com o reencontro de Jon e Sansa ( Sophie Turner ), a reconquista do Norte e com Arya ( Maisie Williams ) finalmente reclamando direito sobre si, os Lannister tiveram um ano especialmente difícil. Jaime ( Nicolaj Coster-Waldau ) se viu obrigado a deixar a guarda real e assumir um posto menor e partir ao socorro de Walder Frey ( David Bradley ) em Riverrun, deixando Cersei só em King´s Landing. O ano, que começou com o casal evitando a resignação após a morte de sua filha, deve terminar com um contra-ataque ao avanço da Fé dos Sete sobre King´s Landing.

Contudo, ter reencontrado Brienne ( Gwendoline Christie ) durante a ação em Riverrun pode ter acentuado este conflito entre o Jaime que existe e o que ele quer ser. O sétimo ano, talvez, elabore melhor esse dilema. Tyrion ( Peter Dinklage ), por seu turno, segue como conselheiro de Daenerys, mas começa a externar preocupações cada vez mais audíveis com a pleiteante mais bem paramentada ao trono de ferro. Como prova a resolução do conflito com os mestres em Meereen, no entanto, ele ainda tem os ouvidos da rainha dos dragões.

Jaime deve entregar Riverrun ao controle de Walder Frey antes de partir ao encontro de Cersei
Divulgação
Jaime deve entregar Riverrun ao controle de Walder Frey antes de partir ao encontro de Cersei

“The Winds of Winter”, último episódio da sexta temporada e título do ainda inédito sexto livro das crônicas de gelo e fogo de George R.R. Martin deve se ocupar majoritariamente de movimentar as peças para a sétima temporada. Justamente por isso, não espere rever LordeVarys ( Conleth Hill ), que deixou Meereen com a promessa de perseguir uma estratégia, que ainda desconhecemos, e forjar uma aliança em Westeros. Ele e Mindinho continuam como os grandes players da guerra dos tronos.

Lorde Bailish ( Aiden Gillen ), por sinal, foi bem sucedido em elevar Sansa ao posto de rainha do Norte com a providencial ajuda ofertada com os soldados do Vale. O desafio que se impõe agora para ele é reconquistar a confiança de Sansa, algo que pode não ser tão fácil depois de tê-la entregue aos caprichos de Ramsey. E o que vai desejar Sansa após reconquistar o Norte? Jon, Sir Davos ( Liam Cunningham ) e Tormund ( Kristopher Hivju ) miram no inevitável confronto contra os mortos, mas até quando a agenda deles e a de Sansa serão compatíveis? E como a astúcia de Mindinho irá interferir?

Antes de morrer, Ramsey disse que Sansa jamais se livraria dele, pois ele era “parte dela agora”. A internet desesperou-se com a teoria dela estar grávida do filho dele. Algo possível, porém improvável. O mais alarmante é verificar como Ramsey acelerou em Sansa uma mudança gestada por Joffrey ( Jack Gleeson ). Do raciocínio pragmático aplicado à situação de seu irmão Rickon ( Art Parkinson ), ao fato de esconder de Jon o socorro pedido ao Vale por intermédio de Mindinho, passando pelo método Ramsay que lançou mão para matar Ramsey. O que esperar desta nova Sansa?

Bran reaparece no 10º episódio da temporada, mas trará consigo alguma revelação?
Divulgação
Bran reaparece no 10º episódio da temporada, mas trará consigo alguma revelação?

Outro Stark que ganhou proeminência no sexto ano foi Bran ( Isaac Hempstead-Wright ). Mais do que Daenerys Targaryen  ou Jon Snow, o sexto ano da série fez crer que o futuro dos sete reinos está intrinsicamente ligado à capacidade do jovem em assumir-se como o novo Corvo de Três Olhos. Mas antes de conhecermos este futuro, Bran deve nos ajudar a decifrar o passado e restringir ainda mais o número de candidatos reais ao trono de ferro.

    Leia tudo sobre: Game of Thrones