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Filme trata polêmica com leveza e reforça vocação do cinema francês de abordar com liberdade questões ligadas ao sexo

Você já viu esse filme antes, mas o sotaque francês, acredite, faz toda a diferença. “Doce Veneno”, que estreia nesta quinta-feira (16) nos cinemas brasileiros, traz Vincent Cassel e François Cluzet como grandes amigos que vão passar as férias na praia com suas respectivas filhas. O caldo ameaça entornar quando a filha de um deles estabelece um jogo de sedução com o outro.

Vincent Cassel é o pai moderno que desperta a atração da filha reprimida pelo amigo
Divulgação
Vincent Cassel é o pai moderno que desperta a atração da filha reprimida pelo amigo

Cassel faz Laurent, um pai moderno e jovial que costuma falar sobre sexo com sua filha Maria ( Alice Isaaz ). Cluzet dá vida a Antoine, um tipo mais rígido e que não dá folga para Louna (a estreante Lola Le Lann , muito à vontade nas cenas que exigem sensualidade). As meninas, porém, querem diversão e Louna começa a se sentir atraída por Laurent. A princípio, ele evita reagir às investidas da moça, mas acaba cedendo. As circunstâncias são problemáticas porque potencialmente comprometem tanto a relação de amizade entre Laurent e Antoine como a cumplicidade entre as meninas.

O ritmo empregado pelo cineasta Jean-François Richet , que já havia dirigido Cassel em “Inimigo Público Número 1” (2008), é de comédia leve e o diretor evita o aprofundamento dos dilemas e conflitos em que os personagens se flagram. O que não quer dizer que o filme trate com pudores a questão. Há liberdade na abordagem de um tema francamente polêmico e que pode ser percebido por muitos como sexista, mas não há a intenção de teorizar a respeito do que se vê na tela.

Um dos grandes méritos do cinema francês, e que ganha notoriedade com “Doce Veneno”, é saber se permitir. Há nudez frontal em um filme que pretende ser apenas uma comédia saborosa sobre o conflito de gerações e que atualiza o mito da Lolita sem se preocupar com patrulhas ideológicas. Solar e sensual, “Doce Veneno” é malicioso na medida certa. No cinema contemporâneo, esta é uma qualidade que apenas os franceses parecem dominar.